Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Ai dos bonzinhos!

2 Comentários

Não são todos, mas a grande maioria dos pais contemporâneos se alinha com a liberalidade, a flexibilidade e a tolerância. As crianças não podem ser repreendidas porque ficam traumatizadas. Castigo físico é inadmissível. Hoje constitui até crime. O aprendizado se faz à medida em que a vida ensinar.

Os pais declinam de orientar os filhos, fazem que não enxergam os mimos que depois se transformam em vícios, acham que bons modos serão ensinados na escola. Esta, por acreditar que a educação de berço vem dos pais, não considera obrigação sua cuidar dos maus modos.

De leniência em leniência constrói-se uma juventude sem limites. Se Zygmunt Bauman, em sua Ética Pós-Moderna, diz que o lema atual é “sem excessos”, a educação brasileira no lar poderia ter o slogan “sem limites”. Isso explica o abuso de álcool, iniciado a partir dos 11 anos. A violência nas escolas. O medo que os professores têm de ser agredidos. As brigas no trânsito. Os homicídios às saídas de baladas, as surras, os entreveros, a droga a permear todos os ambientes.

Isso no Brasil. Em que lugar mesmo está o País no ranking da educação mundial? Não interessa. Temos Copa e Olimpíadas para distrair a população. E Big-Brother também. Daqui a pouco é Carnaval. Por que se atormentar com bobagens?

Na China, os filhos são extremamente bem-sucedidos na escola e na carreira. Qual o motivo? Amy Chua, norte-americana descendente de chineses e professora de Direito na Universidade Yale, escreveu um livro sobre a educação na China: “Grito de Guerra da Mãe Tigre”. A abordagem flexível e complacente não está dando certo. Ela advoga a rigidez extrema, regime em que foi criada. Na China, “se uma criança tira “B”, a mãe, devastada, a obrigará a fazer dúzias, centenas de testes e lições, pelo tempo necessário, até tirar “A”.

Já houve um tempo em que isso acontecia no Brasil. Posso testemunhar, porque ocorreu comigo. Depois, prevaleceu o relaxo. Por que exigir da criança? Nota não é tudo. Ela precisa também se divertir. Coitadinha! Se eu fui pressionado a estudar por meus pais, com meus filhos vou ser bonzinho. Deu certo? Volto ao tema.

 

José Renato Nalini é Desembargador da Câmara Especial do Meio Ambiente do Tribunal de Justiça de São Paulo e autor de “Ética Ambiental”, editora Millennium. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

 

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

2 pensamentos sobre “Ai dos bonzinhos!

  1. Incrível esse artigo. Concordo plenamente! Parabéns…

  2. O Brasil está na mesma situação ocorrida na Roma antiga quando criou a política “panem et circenses”, para o povo não se revoltar com a falta de emprego, moradia, educação, saúde, segurança entre outros, o governo lança o “bolsa familia” entre outras “esmolas”….. isso é vergonhoso !!!!

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