Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Menos discurso, mais ação

1 comentário

Ninguém recusa a evidência de que educação é o único problema brasileiro. A educação – considerada a formação do ser humano para interagir eticamente – corrigiria todas as distorções que fazem da sociedade atual uma espécie de caricatura do que deveria ser um convívio saudável.

Mas assim como ocorreu em outras áreas, na educação houve uma sofisticação teórica suficiente para mudar o foco das discussões. São abundantes os diagnósticos e propostas.

Planos mirabolantes, projetos, estratégias e em tudo, infelizmente, a política. A má política. Aquela imposta pelos interesses, nem sempre subalternos. Mas capazes de tornar o acessório mais importante do que o principal.

É urgente abandonar os discursos e partir para a ação. Boa vontade, criatividade e amor ao ser educando são alavancas poderosas. Por que não ousar e fazer tudo o que é possível ser feito individualmente para melhorar os péssimos níveis de aprendizado? Por que esperar que as soluções venham de cima, após inúmeras reuniões, pareceres, exames e relatórios de Comissões que, tanta vez, resultam em novas decepções?

Os professores da rede municipal de Altinópolis tiveram uma bela iniciativa. Começaram a bater na porta das casas de seus 1.200 alunos de ensino infantil e fundamental. O objetivo é aproximar e estreitar as relações entre mestres e pais das crianças e conhecer o ambiente familiar e a realidade de cada núcleo para melhorar o nível de ensino nas escolas da rede.

Eles não estão cobrando “hora extra”. São voluntários que criaram o próprio projeto durante o planejamento pedagógico. Cada professor listou aquilo de que gostava e o que o aborrecia quando era aluno. A partir daí, elaboraram o programa.

Já defendi essa aproximação em outros artigos. Enquanto os pais não entrarem na escola e souberem o que ali se passa, se interessarem pelo que seus filhos aprendem ou dizem aprender, a educação não vai melhorar neste Brasil de tremendo insucesso educacional. Ou os equívocos do Enem e a performance no Pisa e outras avaliações constituem motivo de orgulho para o ufanismo tupiniquim?

 

José Renato Nalini é Desembargador da Câmara Especial do Meio Ambiente do Tribunal de Justiça de São Paulo e autor de “Ética Ambiental”, editora Millennium. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

 

Anúncios

Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Um pensamento sobre “Menos discurso, mais ação

  1. Para corroborar com este texto, reproduzo abaixo um exercício, dentre outros, elaborado por um prof. de matemática de uma escola em Santos – SP para termos uma idéia de como anda o nosso ensino:
    “Rojão é cafetão na praça Mauá e tem 3 prostitutas que trabalham pra ele. Cada uma cobra R$35 ao cliente, dos quais R$20 são entregues ao Rojão. Quantos clientes terá que atender cad…a uma para que Rojão possa compra sua dose diária de crack no valor de R$150 ?”

    Como será a próxima geração com este tipo de formação ??
    Saudações,
    Nélio

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s