Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

A mãe durona

2 Comentários

Sobre o livro “Grito de Guerra da Mãe Tigre”, de Amy Chua e publicado pela Penguin Press, muito se tem comentado nas redes sociais. Ela propõe que a mãe – principalmente a mãe, que é a presença mais próxima ao filho – se interesse pela educação formal do filho. Se nem tudo serve para o Brasil, é preciso refletir sobre um modelo que, para os padrões que a cultura estabeleceu como válidos, está dando certo. Amy Chua é chinesa, mas mora nos Estados Unidos, onde ensina Direito em Harvard.

Ela menciona dez proibições para suas filhas, que aqui pareceriam ridículas. Ela nunca deixou suas filhas fazerem: 1. brincar na casa de amigos; 2. tirar notas menores do que 10; 3. tocar instrumento diverso de piano e violino; 4. praticar piano ou violino por menos de 2 ou 3 horas seguidas; 5. ver TV ou jogar no computador; 6. escolher suas atividades extracurriculares; 7. participar de peças teatrais na escola; 8. reclamar por não participar das peças; 9. participar de atividades além daquelas em que se possa ganhar medalhas; 20. ganhar menos do que a medalha de ouro nessas atividades.

Muita gente pode pensar que isso não corresponde aos valores brasileiros. Quais são mesmo os valores em prestígio e ascensão? Ter limites faz parte de qualquer educação. Disciplina é um bem que foi esquecido na escolarização. A preocupação com o “politicamente correto” inibe pais, assim como inibe professores. Estes se limitam a cumprir o programa estabelecido.

Como a educação de berço deveria vir de casa, não existe – como regra – obrigação de corrigir equívocos ou sancionar vícios e más condutas. Concorde-se ou não com os mandamentos de Amy Chua, é importante lembrar que a China apareceu em primeiro lugar no PISA, o exame que avaliou alunos de 15 anos de 65 países em matemática, leitura e ciências.

Os Estados Unidos ficaram em 15º lugar e o Brasil em 53º. Atrás de nós, só os menos desenvolvidos dentre os países, cujos nomes nem é bom enunciar. Dir-se-á que tais avaliações nada representam. O que interessa é ser feliz. Será feliz quem não conseguir aquilo que a mídia e a publicidade propalam, incessante e intensivamente, que é preciso ter para alcançar a felicidade?

José Renato Nalini é Desembargador da Câmara Especial do Meio Ambiente do Tribunal de Justiça de São Paulo e autor de “Ética Ambiental”, editora Millennium. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

2 pensamentos sobre “A mãe durona

  1. Caro dr. Nalini,

    sou favorável à imposição de limites e da disciplina para a educação das crianças. No entanto, brincar é estruturante para um desenvolvimento psíquico saudável.
    Fui cobrada por meus pais a ser sempre uma aluna nota dez na escola. Concluí a graduação aos dezenove anos de idade com láurea pelo melhor desempenho acadêmico. Fiz mestrado, doutorado e tornei-me uma jovem professora universitária.
    O meu elevado nível de cobrança, fez de mim uma adulta anciosa e pouco compreensiva com os meus limites e aqueles dos outros.
    Pais que obrigam filhos a tirarem sempre notas dez, estão gerando pessoas pouco tolerantes, além de mais suscetíveis à depressão.
    É desafiador encontrar o equilíbrio, mas o considero necessário.
    Um abraço,
    Tereza Melo.

  2. Maravilhoso seu texto sobre a “educação”, infelizmente esta acontecendo uma inversão de valores que mais atrapalha do que ajuda. Quando criança levei umas palmadas e chineladas da minha mãe, pois meu pai nunca batia, era a mãe que educava e hoje beijo os pés de minha mãe pela educação e condução da formação do meu caráter. O politicamente correto hoje é uma faca de dois legumes.
    Grande abraço
    Di Bonetti

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