Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Cristo e Hans Staden

Deixe um comentário

O livro “Viagem ao Brasil”, de Hans Staden, significou a primeira aparição do país na bibliografia de viagens na Europa. Foi publicado em Marburgo em 1557 e seguiram-se inúmeras edições. O 1º Presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, o cearense Tristão de Alencar Araripe foi quem publicou a edição brasileira na Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, volume 55, no ano de 1892.

A ABL republicou a obra na coleção Afrânio Peixoto, em 1988. Staden era considerado cidadão reto, pio e valoroso. Dez meses e meio permaneceu preso pelos tupiniquins entre Bertioga e Ubatuba. Conheceu Cunhambebe, participou de batalhas, sentiu a traição de um francês que disse aos índios ser ele português e merecer a morte. Graças à sua crença inabalável, rezou durante todo o tempo e erigiu uma espécie de oratório, onde permanecia em oração. Quando uma índia destruiu a cruz, seguiu-se uma tempestade e a aldeia acreditou que ele de fato possuía poderes junto a seu Deus.

A partir daí foi mais respeitado e conseguiu salvar-se milagrosamente. Assistiu à morte de outros cristãos que foram devorados pelos indígenas. Convidado a também se saciar do banquete antropofágico, disse que só animais irracionais comem seus iguais. Ao que o cacique afirmou: “Eu sou onça!”.

O livro e as aventuras são muito comentados. Mas ninguém se detém a esse aspecto da religiosidade de Hans Staden. Durante toda a narrativa, ele atribui a Jesus Cristo sua salvação. Elaborou, inclusive, uma oração que repetia durante o período em que esteve à mercê dos violentos indígenas. Termina a sua descrição a afirmar: “Não posso crer que alguém possa orar de coração, sem que esteja em grande perigo ou perseguição. Porque enquanto o corpo vive conforme quer, está sempre contra o seu Criador. Por isso, Deus, quando manda alguma desgraça, é prova de que Ele nos quer ainda bem. E ninguém deve ter disso dúvida, porque isso é uma dádiva de Deus. Nenhuma consolação, nem arma, existe melhor que a simples fé em Deus. Por isso, cada homem de devoção, nada melhor pode ensinar a seus filhos, do que a compreensão da palavra Deus, na qual sempre podem ter confiança”.

Seria interessante que os pais de hoje tivessem mínima preocupação em transmitir alguma crença a seus filhos. Ao menos, os ensinassem a respeitar o semelhante e toda espécie de vida.

José Renato Nalini é Desembargador da Câmara Especial do Meio Ambiente do Tribunal de Justiça de São Paulo e autor de “Ética Ambiental”, editora Millennium. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

Anúncios

Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s