Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Inveja do Rio

2 Comentários

Passei o Carnaval no Rio de Janeiro. Constatei o clima de manifesta esperança em dias melhores, depois que a polícia chegou aos morros. Durante os cinco dias dedicados à maior festa popular do Brasil, mais de quatrocentos blocos saíram às ruas. Vi alguns deles. A concentração humana era intensa. Poderia amedrontar os incautos. Afinal, a multidão é irracional e suas reações são inesperadas. Confesso o meu receio inicial de um “estouro”, de uma violência multitudinária. Nada obstante, tudo transcorreu de forma normal. Crianças de colo, em carrinhos, cadeirantes, idosos, todos se confraternizavam na massa que ocupava ruas e praças. A preocupação maior dos responsáveis era o fato de os banheiros químicos serem insuficientes à demanda e os foliões se aliviarem nas ruas. Todo o tom institucional das campanhas era voltado a evitar que os logradouros fossem transformados em toaletes. Parece que a população se entregou à música, à fantasia, à confraternização, como resposta à atuação estatal moralizadora de uma situação que parecia se eternizar. O Estado precisa mostrar sua face para imprimir segurança ao convívio. Assim que tomou conta da situação, a mostrar que não é a delinquência que deve imperar em espaço público, mas essa é a missão do governo, a cidadania correspondeu. Enquanto isso, o que ocorreu em São Paulo, esta megalópole insensata, no mesmo período? Ao menos três famílias vivenciaram o seu pior Carnaval. Seus filhos foram assassinados, em circunstâncias muito semelhantes. Chegavam à casa ou aguardavam amigos. Chega um grupo armado e, mesmo sem a vítima reagir, os ladrões atiram. Alguns deles vieram a ser presos posteriormente. Jovens, tal como as vítimas. Até menores participaram do latrocínio. Ouvi a explicação de um dos agentes: ficou irritado porque a vítima “bateu a porta em sua cara” e, portanto, “deu um pitoco”. Fiquei com inveja do Rio de Janeiro. Além de ser a cidade mais bonita do mundo, tornar-se-á a cidade mais segura do Brasil? Por que não levamos a sério a questão do desarmamento. Existe lei. Onde a fiscalização, a apreensão e a prisão de quem se arma para matar inocentes?

José Renato Nalini é Desembargador da Câmara Especial do Meio Ambiente do Tribunal de Justiça de São Paulo e autor de “Ética Ambiental”, editora Millennium. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

2 pensamentos sobre “Inveja do Rio

  1. Depois do massacre de Realengo, reacendeu-se a discussão sobre o desarmamento. Sarney quer outro plebiscito com a nação, no entanto se esquecem que a grande maioria dos crimes cometidos no Brasil foram praticados com armas e munições adquiridas na clandestinidade.
    Não seria o caso de se rever as normas penais, com penas mais rígidas àqueles que cometem infrações munidos de tais instrumentos ilícitos ? De trabalhar de forma mais rígida para reprimir o comércio ilegal de armas?
    Será que não se poderia também melhorar a educação dos jovens dentro de casa e nas escolas, para que no futuro não tenhamos mais que sofrer com monstros da nossa própria criação?
    Até quando iremos tropeçar sempre nos mesmos erros?

    Ah, meu querido pai que Deus o tenha em seus braços! Obrigada por todas as palmadas que levei merecidamente, pelos “nãos” oportunos, pelas broncas fundadas, pela disciplina imposta, por escutar meus professores, por ler as “mentirinhas” nos meu olhos e reprimi-las…enfim, por todo amor que me deste em forma de educação. Graças ao Senhor, nenhum ser humano há de sofrer nesta terra pelas minhas mãos!

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