Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Lúcidos: indignai-vos!

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Causa perplexidade em toda a Europa o panfleto escrito por Stéphane Hessel, embaixador de 93 anos que prega o inconformismo. Inconformismo com a financeirização do mundo e contra ranços de barbárie que obscurecem a Pátria de Rousseau e Montesquieu. Ele se alinha com as minorias: defende os imigrantes, os sem-teto, os desempregados. Sustenta que não pode haver falta de dinheiro hoje para manter e prolongar as conquistas sociais, pois a produção de riquezas só fez aumentar.

Já é chamado “Senhor Direitos Humanos” e se converteu em fenômeno universal,  porque sua mensagem é também universal. Ávidos por novidades, culturalmente colonizados, pois a declaração da independência intelectual não foi objeto do grito de 1822, nem se proclamou a república do pensamento em 1889, os brasileiros aplaudem o fenômeno. Há editor ansioso por traduzir as 32 páginas lançadas em outubro de 2010 e que vendeu 1,3 milhão de exemplares só na França.

Esquece-se o brasileiro, sempre envergonhado do que é seu, de que outras vozes já pregaram a irresignação com a falta de vergonha nacional. Rui Barbosa tem o texto “de tanto ver triunfar as nulidades”, que deveria ser lido a cada início de aula em todos os níveis de ensino. Texto que faria melhor nas posses parlamentares do que os discursos de praxe. E um olvidado Olavo Bilac fez ecoar sua voz para reduzir a melancolia da constatação da miséria moral que acometia a jovem República.

Em dias de desalento que debilitava os ânimos mais vigorosos, quando a indiferença abastardava o país, sua voz ressoou pujante: “Não tenhais medo, meus jovens amigos! O Brasil será admirável e admirado. Apagar-se-ão para sempre os dias de miséria moral, de criminosa indiferença e de perniciosa indisciplina. Todas as forças vivas do país acordam e a legião dos crentes marcha para a vitória.

…Cultivai, nos vossos corpos e nas vossas almas, o heroísmo. Sede heróis! E não acrediteis que haja exagero de lirismo ou ironia neste conselho. Não são apenas heróis os que vencem batalhas sangrentas, os que conquistam impérios, os que assaltam ou arrasam cidades, os que levantam e desabam tronos. Heroísmo é também saudade, é bondade, é justiça, é misericórdia, é alegria”. E como o Brasil precisa de heróis! Nunca antes neste País tanto deles se precisou!

José Renato Nalini é Desembargador da Câmara Especial do Meio Ambiente do Tribunal de Justiça de São Paulo e autor de “Ética Ambiental”, editora Millennium. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

2 pensamentos sobre “Lúcidos: indignai-vos!

  1. Num mundo tão acelerado e desatento, tão competitivo e cruel, é preciso um tempo para reflexão.
    Desorientados estamos; inanimados estamos.
    É preciso refletirmos se esse modelo social e político é o que queremos.
    Se não, saibamos que somos coniventes.

  2. Eu quero ser herói, eu preciso ser herói, eu vou ser herói…hã…peraí…eu moro no Brasil e após quase quatro décadas eu ainda estou viva, faço três refeições ao dia, sobrevivi a oito assaltos e não durmo na chuva. Ah, até consegui um diploma universitário e, após 12 anos na advocacia eu ainda acredito na ética e no bom senso! EU QUERO A MINHA CAPA!!!

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