Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Recobrar a autoestima

1 comentário

Pedro II era um viajor incansável e não fazia questão de rapapés. Se possível, passaria incógnito pelos países onde esteve em 1871 e, depois, em 1876. A curiosidade pelas “cabeças coroadas” já existia e natural que a imprensa procurasse acompanhar os passos do imperador do Brasil. O jornal “Snälposten”, de Copenhague, publicou sobre o monarca: “Devo começar afirmando que o Imperador do Brasil é um viajante encantador e cheio de sabedoria, porque sabe mover-se com rapidez e dispensar salamaleques oficiais, tão do sabor dos testas coroadas.

O Imperador do Brasil, de fato, aproveita o tempo desde muito cedo e preenche as manhãs com excursões e visitas de estudo a lugares e estabelecimentos que o interessam. Percorre e estuda minuciosamente os nossos museus e bibliotecas e toda a gente que tem a sorte de encontrá-lo observa logo que se trata de um verdadeiro sábio, que entende do que lhe mostram e sabe o que convém ver, fenômeno na verdade raro, quando se pensa na visita de outros reis e imperadores”.

Antes mesmo de chegar a Estocolmo, Pedro II era objeto de reportagem elogiosa na revista “Illustrerad Tidning”. Depois de mencionar que o Imperador fora autorizado pelo Parlamento brasileiro a ausentar-se do país “considerando a situação de calma e prosperidade interna e as ótimas relações cultivadas pelo Império com todas as nações do mundo”, fazia encômios ao comportamento do monarca:

“a sua pessoa, realçada pela cultura e pela modéstia, despertou assinalado interesse e, ainda nos últimos dias, foi editada em Bruxelas uma completa monografia sob o título “Dom Pedro II – Imperador do Brasil – Notícia biográfica”, da autoria de Anfriso Fialho”. A imprensa europeia falava do apreço que o Brasil devotava à cultura, mercê da clarividência desse excepcional governante: “Importa reconhecer que, graças aos grandes méritos de Pedro II, o Brasil prosperou quanto à cultura geral e às humanidades.

O Imperador revelou sempre o maior interesse pelo desenvolvimento científico; é presidente do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e possui uma biblioteca escolhida e variada. Digno de especial menção é o seu vasto conhecimento de línguas estrangeiras, documentado notavelmente durante a sua visita à Sinagoga Judaica de Londres, em 1871, onde teve ensejo de folhear e traduzir uma pequena Bíblia hebraica e arábica”. Bons tempos, aqueles!

José Renato Nalini é Desembargador da Câmara Especial do Meio Ambiente do Tribunal de Justiça de São Paulo e autor de “Ética Ambiental”, editora Millennium. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Um pensamento sobre “Recobrar a autoestima

  1. Olá, Professor!
    Muito interessante e ilustrativa a personalidade de D Pedro II. A divulgação de fatos históricos como esses deveria ser publicada nos periódicos de nosso país, onde a mediocricridade e o besteirol fluente apenas fazem apologia da ignorância. Parabéns!

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