Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Dá para comparar?

2 Comentários

Pedro II, quando viajou pela Escandinávia em 1876, embora atraindo a atenção da mídia, comportava-se como pessoa simples que naturalmente era. Na noite de domingo, 27 de agosto, vindo de Imatra, chegou ao Albergue de Lauritsala, na Finlândia, para passar a noite. O dono trouxe-lhe um livro para assinar, como fazia com todos os fregueses. Era o registro de hóspedes. Pedro II escreveu, sem constrangimento, do próprio punho: Pedro de Alcântara. E acrescentou o nome do Visconde de Bom-Retiro e do “chevalier Teixeira de Macedo” que o acompanhavam. E, sorrindo, acrescentou: “très contents”, para mostrar a felicidade dos viajantes por conhecer a localidade.

 

O livro de registro do albergue adquiriu inesperado valor e deu que falar a toda a imprensa finlandesa. Todos ficaram impressionados com a singeleza e bonomia do Imperador, cuja qualidade era reduzida à denominação “humanidade”. A 5 de setembro de 1876, quando o Imperador já estava em S. Petersburgo, um colecionador de autógrafos havia oferecido 5 mil marcos finlandeses pelo livro do albergue, destinando mil para os pobres da localidade. Pedro II visitava com vagar e interesse as Universidades e centros científicos. Na Universidade de São Petersburgo, permaneceu longas horas. Ouvia as explicações e revelava, em diálogo com os professores, vasto trato com as ciências. “Ao examinar cada seção, D. Pedro falava como conhecedor e pedia, ao mesmo tempo, informações sobre outros professores russos que conhecera na Europa, sobretudo Tchévitchev, ausente no momento.

 

Três horas decorreram assim na Universidade, sem que o soberano brasileiro desse mostras de fadiga. Com o professor Vassiliev discutiu longamente acerca das línguas chinesas, mostrando-se também erudito filólogo. Afeiçoado à leitura dos mestres, descobria, não raro, nas explicações que lhe eram propinadas, discordâncias, enganos, lacunas. Compreende-se assim a admiração que inspirou aos professores russos, ao emitir opiniões próprias, ao discutir pontos de cronologia, ao insistir em esclarecimentos sobre casos controversos. Sua maneira delicada, afável, comunicativa, impressionou os docentes da Universidade, os quais, após a partida do monarca, se reuniram para proclamá-lo membro de honra da instituição”. Exatamente como ocorre hoje com a profusão de títulos de doutor “honoris causa” propiciados por algumas Universidades a titulares transitórios de poder.

 

José Renato Nalini é Desembargador da Câmara Especial do Meio Ambiente do Tribunal de Justiça de São Paulo e autor de “Ética Ambiental”, editora Millennium. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

 

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

2 pensamentos sobre “Dá para comparar?

  1. …e enquanto isso, no Brasil de Cabral…aahhh os homens e seus grandes feitos históricos, muito admirável!

  2. Olá, Professor!
    Deveras, a sabedoria e a simplicidade estão sempre juntas. Um ótimo exemplo a ser seguido.

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