Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Pedro, o injustiçado

1 comentário

O Brasil não cultiva a sua memória. É a maldição de um passado miserável: os erros acumulados só fizeram crescer a pobreza e a ignorância. É hora de reabilitar Pedro II. O Imperador injustiçado. O homem bom, traído pelos que mais se beneficiaram de sua bondade, de sua tolerância, de sua superioridade moral. Reler o livro “O Ocaso do Império”, de Francisco José de Oliveira Vianna, é exercício saudável.

O octogenário texto de Oliveira Vianna tem espantosa atualidade. O Império brasileiro era admirado por todo o mundo civilizado. Foram quase 50 anos de estabilidade. Não se ousou censurar a Imprensa. Falava-se o que se queria do Imperador. Ele a tudo compreendia, a tudo perdoava. Acabou sozinho. Relata Oliveira Vianna o final que um homem desses mereceria, fossem civilizados os súditos: 

“Merecia, no seu ocaso, ter o esplendor flamejante e a grandeza tranquila de um belo poente de verão e, entretanto, não teve nenhum desses traços de beleza épica que, de costume, acompanham a queda dos Impérios: o rumor e o brilho das espadas que se entrebatem e lutam, ou o clamor das multidões enfurecidas que apedrejam e ululam. Terminou, ao contrário, muito prosaicamente, e de súbito.

Do Paço, de onde dominara durante meio século, o velho Imperador, abatido pela moléstia, mas nobre ainda no seu porte majestoso, saiu, não sob a claridade da luz meridiana, mas dentro da noite, sob a escuridão protetora de uma alta madrugada, como um criminoso que se foragisse – e foi às pressas que embarcou no pequeno navio, que o haveria de levar para as tristezas do exílio irrevogável”. A República era conhecida por poucos. 

Os exemplos republicanos no continente não eram dos melhores. Mas as ambições pessoais, o insuperável anseio pelo mando, acenavam afoitas e atiçavam os apetites. Enxotaram-no e à família sem condescendência. Estoico, estatura ética gigantesca, “não levava nenhuma desilusão, senão a experiência da ingratidão dos homens. 

Esta mesma ele, na sua magnanimidade, parecia ter perdoado: não teve uma palavra só de censura para ninguém, uma só recriminação, um só desabafo de desespero, ou de cólera, ou de mágoa: nada”. Pedro II não merecia o tratamento indigno dos brasileiros. E quanta diferença entre ele e a maior parte dos que vieram depois a mandar no Brasil.

José Renato Nalini é Desembargador da Câmara Especial do Meio Ambiente do Tribunal de Justiça de São Paulo e autor de “Ética Ambiental”, editora Millennium. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Um pensamento sobre “Pedro, o injustiçado

  1. Olá, Professor!

    É muito bom que se divulgue os grandes personagens da História de nosso país. D. Pedro II era homem de grande cultura, como tenho aprendido em seu blog.

    Tenho admiração também pelo seu senso de Justiça e Humanismo, pois a pena de morte foi por ele abolida, ao saber que inocentes foram condenados e executados por um lamentável erro judiciário.

    Em vez de tentar justificar o injustificável ou, pior ainda, tentar esconder os erros, ele reconheceu que aquela punição não era adequada a um sistema jurídico que se determina a fazer Justiça.

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