Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Ressurgir na fé e na arte

2 Comentários

A Páscoa, festa cristã de maior significado, foi desnaturada pelos costumes na sociedade impregnada de consumismo egoísta. Quantos pais explicam a seus filhos ser este domingo o mais importante da religião que eles dizem professar? Se o homem Jesus Cristo não ressuscitou, vã é a minha fé, já ensinou o insuspeito cidadão romano Saulo de Tarso, hoje conhecido como o Apóstolo Paulo. O dia, porém, fica reservado à comilança, à volúpia na aquisição de ovos de chocolate, a figura do “coelhinho” substituindo a imagem gloriosa do Ressuscitado. Festa cristã, portanto, mas fruível também pelos não crentes. Por quê? A ideia de ressurgir é instigante. Quem é que já não sentiu vontade de “começar de novo”, reencetar trajetórias, agora com outro destino ou ritmo?

Pensar que se está indissoluvelmente vinculado a uma opção, ausente qualquer possibilidade de revê-la, empobrece o conceito de livre arbítrio e de autonomia da vontade, além de subordinar o ser humano à fatalidade irreversível. Salutar pensar-se em ressurgir para despir-se de pré-compreensões, preconceitos, equívocos e erros deliberados. Isso vale para o créu e para o incréu.

Para estes, que não terão o conforto dos ritos, tão emblemáticos, tão ricos em simbologia, seria conveniente ao menos ouvir a Sinfonia n 2, de Gustav Mahler (1860-1911), hoje conhecida exatamente como “Ressurreição”. Mahler começou a escrever um poema sinfônico, que se chamaria “Ritos Funerários”, em memória de um amigo  morto. Após 5 anos e quatro outras partes, surgiu a sinfonia com o nome “Ressurreição”, dos versos do poeta Friedrich Klopstock.

A maravilhosa peça foi apresentada há alguns dias pela Sinfônica de Heliópolis, sob a regência do Maestro Isaac Karabtchevsky, mais os corais do Município e Cultura Inglesa, na Sala São Paulo. Será impossível ouvir a sinfonia de Gustav Mahler, cujo centenário de morte se comemora em 2011, sem se emocionar até às lágrimas. Talvez pelo caminho da arte, no caso a música, o significado de “Ressurreição” consiga penetrar nas consciências sensíveis e fazer germinar a vontade de ressurgir com espírito novo, com todas as suas saudáveis consequências. 

José Renato Nalini é Desembargador da Câmara Especial do Meio Ambiente do Tribunal de Justiça de São Paulo e autor de “Ética Ambiental”, editora Millennium. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

2 pensamentos sobre “Ressurgir na fé e na arte

  1. Olá, Professor!

    Concordo com o senhor. O consumismo desenfreado, a falta do hábito de
    pensar, de se concentrar na verdadeira essência e significado da religião e também de coisas que realmente são importantes, é uma das características de nossa época.

  2. Sim, a família ainda ressuscita Jesus na páscoa, comendo bacalhau, ovos e coelhinhos de chocolate, somando alegria e dividindo tristezas sem ir a igreja, porque é entre os seus, pessoas que se amam e são iguais, é que a família ressuscita Jesus.
    Nada mais alegre e edificante do que sentar-se a mesa com seus pares para dividir entre todos o “pão” que cada um conquistou; de ver a humildade espontanea em todos que colaboram para a realização deste momento; de ver as crianças felizes a saborear as guloseimas, tal como borboletas num jardim.
    Isto é Cristo, isso é cristão, pois todos nós, instintivamente, através do amor que sentimos uns pelos outros, o ressuscitamos neste momento porque o trazemos em sua verdadeira essencia no espírito.
    Já a igreja não faz o que diz e acaba pregando hipocrisia!

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