Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Tuvalu e Kitibati

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Ilhas paradisíacas no Pacífico estão com os dias contados. O aquecimento do planeta e conseqüente derretimento das calotas polares resulta em elevação do nível do mar. Mais rapidamente do que se poderia esperar, as ondas avançam sobre as praias. Derrubam árvores, destroem construções, apavoram os pacíficos moradores. Eles sentem na carne os efeitos da insensatez do homem. Ninguém pode negar que os contínuos maus-tratos perpetrados contra a natureza impõem ao clima nefastas mutações. 

Alguém já ouviu falar de Tuvalu e Kiribati? São essas as ilhas ora em vias de desaparecimento. Um líder comunitário, ouvido pela TV internacional, faz algumas ponderações bem instigantes. Indaga ele:  “Já imaginaram se nós fizéssemos algo contrário ao interesse dos Estados Unidos, o maior emissor de CO2 no mundo? Eles nos invadiriam, assim como o fizeram com o Iraque. Mas nós não temos força alguma para nos opor a eles! 

Nossa única possibilidade é implorar que eles se condoam dos primeiros atingidos pela inclemência humana em relação à natureza.” Os apelos do povo de Tuvalu e de Kiribati, à evidência, não são ouvidas pela maior potência do globo. Potência que em breve também sofrerá as agruras do caos climático. O planeta é um só e frágil. As fronteiras são criações artificiais e se existe algo que não as respeita é o comprometimento do ambiente.

Por enquanto, a população aflita não pensa em se refugiar na Nova Zelândia ou na Indonésia, países mais próximos e ainda não tão ameaçados. Preferem, utopicamente, lutar para convencer os grandes Estados a reverterem sua conduta consumista, egoísta e suicida. O morador que representa os interesses feridos sonha com uma conversão dos Estados Unidos.

Já que Tuvalu é o primeiro problema sério na deterioração ambiental da Terra, por que não transformá-la em primeira solução? Chegaríamos a enxergar um gesto ético-ecológico que pudesse devolver a esperança ao desalentado ambientalista de nossos dias? Não alimento ilusões. Vejo um retrocesso acelerado em termos de tutela ambiental. Mas nunca se deve fechar a porta à entrada de um discreto otimismo.

José Renato Nalini é Desembargador da Câmara Especial do Meio Ambiente do Tribunal de Justiça de São Paulo. E-mail:jrenatonalini@uol.com.br.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

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