Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Pronto para partir?

4 Comentários

Na última quinta-feira, 02 de junho, lancei meu livro “Pronto para Partir?”, que a RT editou com o nome “Reflexões Jurídico-Filosóficas sobre a Morte”. É o fruto de meditação sobre aquela que encontraremos com certeza um dia, embora esse dia quase sempre seja incerto. Não tenho a pretensão de esgotar o assunto. Quando se começa a pensar sobre a morte e a procurar material, desvenda-se um universo imenso. 

Nunca cessa de jorrar a fonte já produzida sobre essa que já foi chamada “a indesejável das gentes”, a “ceifadeira”, a “inimiga do homem”. Contemplo a morte sob vários aspectos. Na filosofia, na religião, na medicina, na arte. Na literatura, no cinema, na música. Mas também procuro descer a detalhes que – em geral – procuramos evitar. Como deixar menos trabalho para os que nos sobreviverem. Cuidar dos bens materiais. 

Dispor sobre o destino das coisas que juntamos para que não sejam fator de conflito entre os herdeiros. Poupar aos que deverão cuidar de nosso cadáver, de mais atribulações do que a presumível tristeza de nos enterrar. Ou de nos cremar. Mas o tema não é mórbido. Penso na morte para conferir maior qualidade de vida. Se tivéssemos na consciência a certeza de que ela pode chegar a qualquer instante, sem aviso, como algo que nunca se espera, embora se saiba que vai ocorrer, a nossa existência poderia ser menos angustiante. 

Quantos perdões poderiam ser destinados àqueles que nos ofenderam. Quanto ressentimento poderia ter sido extraído de nossas almas. Quantos abraços, quantos “eu te amo”, quanta gratidão não poderia ser exercida em oportuno? Depois de morto, não adianta perdoar ou agradecer. Já nada mais importará. Enquanto existe vida, há tempo para tudo isso. 

Se ela nos chamar, não haverá mais tempo nem importância a se conferir a tais pequenas coisas. O livro não assusta. Faz pensar. E isso é bom para todos. Por isso, gostaria de ver os amigos que puderem hoje à noite, na Livraria da Vila da Alameda Lorena, 1731, Jardins, capital. E aproveito para dizer: não estou pronto para partir! Gostaria de ficar mais um pouco…

José Renato Nalini é Desembargador da Câmara Especial do Meio Ambiente do Tribunal de Justiça de São Paulo. E-mail:jrenatonalini@uol.com.br.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

4 pensamentos sobre “Pronto para partir?

  1. O tema da morte realmente interessa e amedronta. Cuidar de um tema tão profundo e filosófico demonstra desprendimento e coragem, já que a maioria das pessoas preferem evitá-lo e evitá-la….
    felicitações pela proeza. Lerei o livro com certeza. Abraço. Roviulson Carvalho.

  2. Dr. Nalini o que o levou a este título- Pronto para partir? Estou muito curiosa .MARTHA.

  3. A morte, por que temer,
    se toda noite morremos?
    É no sono, com prazer
    que no eterno seguiremos…

  4. MEU SONO, MEU DEUS AMIGO

    Meu sono, deus e amigo,
    o mais forte em lealdade,
    tu me guardarás contigo
    por toda a eternidade.

    É só em sono que um dia
    eu irei me diluir.
    Só ele me propicia
    a graça que me faz rir.

    Pode parecer que eu cismo,
    que não sei como sabia,
    mas temo cair no abismo,
    no abismo da zombaria.

    Mas meu sono me conforta
    e fortalece-me o passo.
    Um dia, a última porta,
    transporei, no seu regaço.

    MARIAN DE ARAUJO

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