Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Mata: a minha casa

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Este ano de 2011 é importantíssimo para o Brasil. Está em pleno curso um projeto que mutila o Código Florestal. Dentre outros absurdos, praticamente acaba com a reserva legal, o mínimo de mata virgem a ser preservado ou espaço deteriorado a ser regenerado; anistia todos os que desmataram até 2007; faz escancarada opção pela destruição do que resta de mata virgem.

É um evidente retrocesso, incompatível com a promessa do constituinte ao redigir um artigo 225 da Constituição que foi considerado um dos mais belos dispositivos insertos em pactos fundantes em todo o mundo. Retrocesso inadmissível para um Brasil que sediou a Eco-92 e que se prepara – sem o mesmo entusiasmo – para sediar o encontro Eco + 20 no ano que vem. 

O movimento orquestrado conseguiu congregar o esquerdismo e o ruralismo de extrema direita, o que é ao menos interessante. Em nome do “progresso”, legitima-se a devastação, como se o país já não tivesse áreas destinadas à agricultura que, hoje ociosas, poderiam servir a incrementar a produtividade, sem necessidade de reduzir ainda mais os fragmentos de mata atlântica ou de outros biomas protegidos ainda restantes. A batalha hoje travada se presta a rememorar o episódio Davi versus Golias. 

De um lado, o capital inclemente, a deturpação do ambientalismo, a urgência em prestigiar o dinheiro, em desfavor do ambiente. O milagre seria o convencimento dos parlamentares, para que pensassem no futuro. O que dirão as futuras gerações de uma sociedade que não preservou o patrimônio natural, por elas não construído, mas destruído numa rapidez que não encontra paralelo na história da civilização? Do lado do bem está a Igreja, cuja campanha da fraternidade contempla os maus-tratos perpetrados à natureza. 

Deus queira as crianças se motivem a forçar seus pais a refletirem sobre a seriedade deste momento. Elas são puras, ingênuas e enxergam a realidade com olhos que já não temos. Minha geração, inconsciente e irresponsável em relação à natureza, fez os estragos que o planeta nunca antes havia experimentado. À espera do milagre, mandemos a floresta brasileira à próxima degola.

José Renato Nalini é Desembargador da Câmara Especial do Meio Ambiente do Tribunal de Justiça de São Paulo. E-mail:jrenatonalini@uol.com.br.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

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