Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

A marcha da sanidade

2 Comentários

Jon Stewart, show man da TV americana, convocou seus telespectadores para a “marcha da sanidade” em Washington. O que ele pretende? Mostrar que há milhões de americanos que não constituem a “maioria silenciosa”, mas a “maioria que trabalha”. Não participam de debates, não fazem chegar sua opinião, porque – simplesmente – estão cuidando de sua subsistência. A tese de Stewart é a de que apenas os loucos aparecem e mostram suas opiniões. 

Quase sempre insensatas. Fruem do privilégio da mídia que dissemina as bobagens e as torna assuntos do momento. Enquanto 90% da população está a trabalhar, os 10% insensatos são os que se manifestam. Transformam bobagens em temas relevantes. Ganham espaço nos jornais impressos e da mídia radiofônica ou televisiva. O recado é claro e dirigido aos homens públicos: trabalhem como nós trabalhamos. 

Deixem de fazer estardalhaço. Gastem menos e produzam mais. Cuidem do futuro da Nação. Futuro menos promissor do que poderia parecer, em se considerando a vocação norte-americana para representar o Grande Império do Ocidente no Século XXI. Enquanto as Democracias fazem a divulgação do non-sense, quando as notícias vão da cirurgia de um jogador de discutíveis qualidades à detenção de um senador com a CNH vencida, a China trabalha.

Ali parece não existir essa liberdade que permite a qualquer um despejar a insanidade que quiser para ferir ouvidos alheios. Inveja do autoritarismo? Não. Mas não custa pensar se de uma ditadura que chegou à maioridade – 21 anos – não se caiu na absurdidade dos excessos. Muita política, pouca seriedade. Muito palavrório, pouco resultado. Muita corrupção, pouca punição. 

Muito desalento, pouca perspectiva de dias melhores para uma geração submetida a uma educação pífia, inconsistente e, quanta vez, indecente. O Brasil também precisaria de uma “marcha da sanidade”, mas que produzisse resultado. Talvez com a introdução do “recall”: poder cassar o exercente de qualquer cargo público, desde que ele não correspondesse às expectativas ou frustrasse os seus eleitores. Seria um bom começo rumo à seriedade que o presente requer.

José Renato Nalini é Desembargador da Câmara Especial do Meio Ambiente do Tribunal de Justiça de São Paulo. E-mail:jrenatonalini@uol.com.br.

Anúncios

Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

2 pensamentos sobre “A marcha da sanidade

  1. É chegada a hora de adotarmos o recall eleitoral. Defendo a inclusão de um dispositivo no ADCT, por via de emenda à CF/88, com vistas a implantar o instrumento. Agregaria maturidade e responsabilidade eleitoral, com maior estreitamento entre eleitos e eleitores.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s