Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

O que desandou no mundo?

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A pergunta poderia ser: o que está errado no mundo? Pois as pessoas se esqueceram do que é essencial para se ancorar no superficial. A natureza é sábia. Nenhum de seus entes – à exceção do homem – dela retira mais do que o necessário para sobreviver. Um jacarandá não esgota os nutrientes da terra. Desta extrai somente o imprescindível para crescer e se conservar. O leão não mata todas as gazelas. Mata uma, quando tem fome. Todos sabem que dependem da continuidade da vida para subsistir.

O homem, não. Pretensioso, cheio de si, destrói toda uma floresta. Acaba, por atacado, com uma obra que levou milhões de anos para existir. São suficientes alguns minutos e o uso de uma motosserra para acabar com esse tesouro.

Poucas pessoas têm consciência do descalabro. Chegam a ser hostilizadas, pois consideradas “inimigas do progresso”. Quando a felicidade não se avalia na vertical. Não é juntando dinheiro que se consegue ser feliz. A felicidade é horizontal. É estar bem consigo mesmo. Ninguém consegue estar bem num deserto. Sem água, sem vegetação, sem biodiversidade. Santo Agostinho já recomendava que não se juntasse mais do que o necessário para subsistir. O restante é de ser entregue a quem precisa mais do que a gente. Quem se satisfaz com o essencial? 

Será que a vocação da espécie humana é competir? Na competição desenfreada em todos os níveis, as pessoas crescem espiritualmente? São mais felizes? Tornam-se melhores? São dignas de serem consideradas celebridades?

Pobre destino desse verbete: “celebridade”! Deveria lembrar a celebração de pessoas capazes de belos gestos. Primícias da raça humana. Aquelas que se destacassem por seu crescimento em graça e sabedoria, em atributos que merecessem cópia. Hoje, celebra-se o nada, o vazio, o mau exemplo, a desfaçatez.

Algo vai muito mal na face da Terra. Lembra-me a busca por alguém digno de se salvar, antes da catástrofe. Será que entre os líderes, os poderosos, as “celebridades”, conseguiremos lotar uma arca, para que sirvam como semente da “nova humanidade”?Quem se arrisca a relacionar os ocupantes da próxima arca, que bem poderá ser uma nave espacial? 

José Renato Nalini é Desembargador da Câmara Especial do Meio Ambiente do Tribunal de Justiça de São Paulo. E-mail:jrenatonalini@uol.com.br.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

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