Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Onde está a felicidade?

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A cultura nos ensina a competir. Somos todos concorrentes e postos a um treino incessante para “vencer na vida”. E o que significa “vencer na vida”? Ter bens para mostrar. Sorrir continuamente. Aparentar juventude, beleza, magreza, tudo isso revestido pelas grifes mais caras. Pouco se indaga a respeito das condições interiores. Como está a “cabecinha” dos seres ligados no supérfluo? São capazes de se autodefinir? Estão, realmente, “de bem com a vida”? 

Um famoso diretor do cinema hollywoodiano, Tom Shadyak, ficou milionário em pouco tempo. Descobriu o filão das comédias e se serviu de Jimmy Carrey, Eddie Murphy e outros astros para produzir filmes nos quais ganhava 8 milhões de dólares para produzir, mais uma percentagem do êxito nas bilheterias. Comprou casa de 740 m² e depois outra de 1.200 m², fretava jatinhos antes de possuir o seu, fazia festas nababescas e possuía todas as mulheres que alguém pode desejar.

Começou a se questionar se era essa a vida com que sonhava. Sentiu-se vazio. Num passeio de bicicleta, acidentou-se e, vítima de concussão, passou a ter alucinações. Tinha de dormir dentro de um armário. Quando se curou, mudou de vida. Foi morar numa casa pré-fabricada, em Malibu. 92 m² são hoje o suficiente para abrigar tudo o de que necessita. Não usa carros, a não ser excepcionalmente. Locomove-se de bicicleta. Fez um documentário, chamado “I Am” (Eu sou!), extraído de palavras divinas no Velho Testamento. 

Descobriu que ser feliz é precisar de pouco e viver intensamente suas paixões. Todo aquele que faz o que não gosta, só pensando em alcançar bens materiais, morre um pouco todos os dias. Imersos na cultura competitiva, fazemos aquilo que se espera de nós, “engatamos uma primeira” e vamos em frente, automaticamente. 

Sem perguntar àquela criatura esquecida que mora dentro de nossa consciência, se é isso mesmo o que ela gostaria de fazer. A maioria poderá considerá-lo louco. Mas essa loucura não é senão um raríssimo episódio de retomada da lucidez. Quem é que terá coragem de conservar o mínimo e de repartir o que obteve – sabe-se lá como, até por trabalho honesto – com os mais necessitados?

José Renato Nalini é Desembargador da Câmara Especial do Meio Ambiente do Tribunal de Justiça de São Paulo. E-mail:jrenatonalini@uol.com.br.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

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