Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Mergulho no tempo

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Quem viveu a década de sessenta do século passado é uma geração que tem bastante o que contar. 1968 foi um ano emblemático. Houve a rebelião dos estudantes em Paris, sob a liderança do jovem Cohn-Bendit, mas aqui no Brasil ocorreu a edição do AI-5. Liberaram-se os costumes, a pílula anticoncepcional permitiu um desenvolto comportamento às mulheres. O mundo realmente mudou. 

Mas éramos embalados pelos festivais de música da Record, quando surgiram Jair Rodrigues e Ellis Regina, Chico Buarque, Caetano Veloso e Gilberto Gil, Maria Bethânia e Gal Costa, Nara Leão e Maria Odete. E tantos outros cujas composições nos embalaram e fizeram tanto bem. Surgiu ainda a “Jovem Guarda”, com Roberto Carlos, Erasmo e Wanderleia, Wanderley Cardoso e tantos outros. Quem não se recorda deles? Na era “vintage”, em que as saudades são institucionalizadas, todos assistimos a uma revisita dessa época. 

Pois também tive a oportunidade recente de uma noite bem interessante e que me acalentou a alma. Não foi um programa televisivo, nem um show para o qual se venderam ingressos. Meu amigo Luiz Aguiar inaugurou uma dependência em sua casa no Morumbi, para a qual convidou muitos daqueles que acompanhamos em sua vida artístico-musical. Lá estavam Jair Rodrigues, que cantou a “Disparada” e também o “Upa neguinho” e aquela música “deixe que falem…”. 

Também Sérgio Reis, que está afinadíssimo com sua esposa e recordou vários sucessos. Mas também Luiz Ayrão, Nalva Aguiar, Marthinha e tantos outros. O clima era de amizade fraterna, cada qual oferecendo o seu melhor para reviver uma era na qual éramos felizes e sabíamos disso. Lembrei-me daqueles festivais do Clube Jundiaiense, em que brilhavam – só para falar nos que já partiram – Delega e Gilberto Fraga de Novaes, Antonio Carlos Oliveira Mello, o “Melinho”, um dos fundadores do “All Anthonys”, depois “Napões”.

Flavinho Della Serra, com a participação daqueles que, se não cantavam, ao menos encantavam com sua presença bonita – Sarita Rodrigues Oliveira, Bidu Franzini, Sérginho Costa, Lúcia D´Egmont. Lembrei-me de todos eles e de muitos mais, ao som de quem cantou por prazer e para agradar amigos. Doação espontânea, que já quase não existe mais.

José Renato Nalini é Desembargador da Câmara Especial do Meio Ambiente do Tribunal de Justiça de São Paulo. E-mail:jrenatonalini@uol.com.br.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

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