Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Vácuo afetivo

Deixe um comentário

Aos poucos, vamos enterrando as pessoas queridas. Já perdi irmão caçula, o João René, meu pai e minha mãe. Antes disso perdera avós. Sem falar de tios, primos, sogro e cunhado, além muitas outras figuras que residem no melhor recôndito do território do afeto. Procuro ser fiel cumpridor dos ritos fúnebres. Há quem diga não gostar de velórios, enterros, cremações ou missas de sétimo dia. Não se tem de “gostar”. O importante é estar presente para um abraço. Palavras não são necessárias. 

Aliás, é dispensável e inócuo falar-se nessa hora. Não existe o que dizer. O caminho da morte é aquele que todos percorremos, desde o nascimento. Por pensar muito na “indesejável das gentes”, até escrevi um livro: “Pronto Para Partir?”, onde me confesso ainda não estar pronto. Mas em vias de preparação. Quando minha mãe era viva, ela me telefonava para contar quem havia sido chamado à eternidade.

Já não tenho mãe. Sou órfão e descobri que orfandade não tem idade. Por isso é que nem sempre consigo honrar meus compromissos de amizade. Fico sabendo das mortes mediante leitura atrasada do JJ. Fiquei muito triste com o passamento de Fernanda Perracini Milani, a quem tanto amava. Mulher culta, sem afetação. Erudita, alma e vocação de artista, muito fez por Jundiaí e com ela trabalhei nos vários Encontros Jundiaienses de Arte. 

Também no setor artístico perdemos Semíramis Rosa Mojola, tão prolífica na criação de disputadas esculturas. Soube muito tempo depois da morte de Lourdes Lotierzo, irmã de minha querida e saudosa amiga Eloisa. Pessoa empenhada em causas nobres e verdadeira cultora da caridade cristã. Minha professora Branca Paulielo Conde e D. Eunice Fraga de Novaes. A inolvidável Luzia Pimenta de Pádua. O que dizer delas? Lamentei a morte de Cida Campaz e de sua filha Silvia.

Tragédia que abalou o melhor da Jundiaí tradicional que aos poucos desaparece. A coleção de mortes é adicionada pelo falecimento de Neusa Lemos de Mello Barroso e, mais recentemente, de D. Helena Bertuzzi, que era prima de minha mãe. Sem falar no grande amigo Wadih Helu, a quem devo tantas delicadezas e, com certeza, estou a me olvidar de outros que partiram e deixam um vácuo impreenchível nos nossos corações.

José Renato Nalini é Desembargador da Câmara Especial do Meio Ambiente do Tribunal de Justiça de São Paulo. E-mail:jrenatonalini@uol.com.br.

Anúncios

Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s