Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Irresponsabilidade social

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O conceito de “responsabilidade social” passou a integrar o conteúdo da doutrina das empresas em todo o mundo. Elas perceberam que seu negócio não é apenas fazer negócio. Têm responsabilidade pelo que significam na era contemporânea. O “desenvolvimento sustentável” ganhou espaço nas estratégias empresariais e nãopode ser mais desconsiderado, até por uma questão de sobrevivência. As empresas que se desvincularem dessas estratégias poderão mesmo perecer no futuro. O consumidor exige conhecer mais do produtor ou prestador de serviço, do que a mera qualidade do produto ou do serviço.

 

Causa espanto, sob essa ótica, o aparente descompromisso da indústria automobilística em relação aos milhares de automóveis apreendidos pela polícia e submetidos à ação das intempéries. Na capital, eles estão num imóvel às margens da represa de Guarapiranga e ali apodrecem, se deterioram, contaminam os mananciais de que a população se abastece para o imprescindível consumo de água doce. Isso não aconteceria no Primeiro Mundo. Em toda a Europa, anotado o pioneirismo da Escandinávia, o produtor é obrigado por lei a acompanhar o ciclo vital de seu produto. País civilizado não tem geladeira jogada no passeio ou no rio. Por isso mesmo, não tem “desmanche”. A existência de “desmanches” de veículos é um índice eloquente de subdesenvolvimento.

 

Quem fabrica um veículo tem a obrigação de acompanhá-lo até final do período de sua utilização. A reciclagem deve ser responsabilidade do produtor. Se isto viesse a acontecer no Brasil, a cadeia produtiva cuidaria de aperfeiçoar os componentes do automóvel, de maneira a melhor utilizá-los na reciclagem. Essa a tendência em todo o mundo. E o Brasil, que copia as más práticas e os vícios, por que não pode se espelhar também nos melhores exemplos dos países civilizados? A Administração Pública tem a obrigação de procurar as empresas que fabricam os automóveis e de fazê-las dar fim do produto que ofereceram à comunidade e ao consumo. Não é justo que todos paguem e aquele que obteve lucro com a venda do veículo, agora se desinteresse do que dele sobrou, em forma de carro depenado ou, simplesmente, de carcaça. 

José Renato Nalini é Desembargador da Câmara Especial do Meio Ambiente do Tribunal de Justiça de São Paulo. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

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