Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

A desigualdade humana

4 Comentários

O profundo fosso que separa ricos de pobres é visível até mesmo do espaço. Se forem examinadas fotografias das grandes cidades, tiradas por satélites, concluir-se-á que mais da metade da população mora em apenas 20% da área da cidade. Isso leva, naturalmente a contrastes colossais de densidade populacional. O abismo entre ricos e pobres é completamente ilustrado pelos bairros. 

Nos verdejantes espaços ocupados pelos ricos, há poucos habitantes por quilômetro quadrado. Mas as periferias têm mais de 80 mil pessoas em área do mesmo tamanho. Tais padrões polarizados de uso da terra e de densidade populacional reconstituem lógicas mais antigas de controle imperial e dominação racial. As elites pós-coloniais herdaram e reproduziram com ganância as marcas físicas da cidades coloniais segregadas. 
Proclama-se no discurso a liberdade e a igualdade, mas se adapta com agressividade o zoneamento racial do período colonial em defesa dos privilégios de classe e exclusividade espacial. A política mantém o padrão. Há sempre investimento disponível para embelezar as áreas já beneficiadas da cidade. Mas não há dinheiro para fornecer sequer serviços básicos às áreas mais pobres. Implícita ou explicitamente, nega-se aos pobres um lugar na vida cívica e na cultura urbana. 

Pobres são vistos como impedimento ao progresso e à melhoria da sociedade. A segregação urbana é uma guerra social – nem sempre incruenta – em que o Estado intervém regularmente em nome do progresso, do embelezamento e até da justiça social para os pobres. Tudo para redesenhar as fronteiras espaciais em nome dos proprietários dos terrenos, investidores estrangeiros, a elite com suas casas próprias. 

Atende-se, ao mesmo tempo, ao dúplice objetivo de obtenção do lucro particular e do controle social. Melhor ainda quando aos interesses pessoais de empreendedorismo se alia o poder político. Aí surge o mundo das informações privilegiadas. O orçamento público é utilizado para valorizar o entorno de terras previamente adquiridas, pois a discricionariedade do político é xipófaga à volúpia pelo lucro que advirá de tais melhorias. Este o Brasil em que se vive no ano de 2011. Até quando? 

José Renato Nalini é Desembargador da Câmara Especial do Meio Ambiente do Tribunal de Justiça de São Paulo. E-mail:jrenatonalini@uol.com.br.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

4 pensamentos sobre “A desigualdade humana

  1. Rico é assim mesmo?- Separação Abismal…
    Salve quem souber,porque puder ninguém poderá mesmo…
    É isso todo mundo só quer ajudar a quem não precisa.Referencia ao texto
    há sempre dinheiro para embelezar o que já belo.

  2. Salve-se e não Salve…
    A pressa a depender do ponto de vista, é amiga da imperfeição
    e inimiga da boa vontade ou outros….
    ; A íngua portuguesa Dr é assim mesmo..
    Dica Guimarães Jr.

  3. Dr Nalini o sr Já ouviu esta reportagem do Ricardo Boechat?,
    Acredite eu já ouvi dezenas de vezes ,como já li a desigualdade humana também.
    Dica Guimarães Jr.: Salvador-Bahia
    Mas meu chão é mesmo Maragogipe recôncavo baiano .

  4. Genial o discurso…É desse suporte teórico é que me refiro…
    Os brasileiros deveriam ouvir essa reportagem.

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