Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Ninguém quer ser infeliz

1 comentário

O ser humano sempre teve como objetivo de vida obter a felicidade. Mas “felicidade” é algo intangível. É próprio da natureza dos “caniços pensantes” ostentar eterna insatisfação. Alcançou-se a meta estabelecida e logo outra surge para ser alcançada. Por isso Santo Agostinho disse nas “Confissões” que sua alma só descansou quando chegou ao Criador. O livro “A História da (In)Felicidade”, de Richard Schoch (Editora Best Seller), se propõe a reconstituir a trajetória dessa busca.

Os princípios motores de qualquer atividade humana são o prazer, o desejo, a razão e o sofrimento. O prazer é sedutor, mas também nos escraviza. O hedonismo é prova de que submeter-se incondicionalmente ao império do prazer torna o ser humano um animal irracional, incontrolável e detestável. Irmão gêmeo do prazer é o desejo. Outra força perigosa, muito mais do que a energia atômica. Por desejo esquecem-se valores, sepultam-se pudores. 

É a cegueira inclemente dos tsunamis que destroem a frágil estrutura moral edificada com sacrifício e lentidão durante o processo formativo da personalidade. A razão já teve o seu primado, mas a história recente da humanidade mostra que ela deixou de ser um imperativo categórico. O Brasil mostra todos os dias a irracionalidade a campear em todos os espaços, notadamente na Administração Pública. O setor encarregado de atender ao bem comum, hoje impregnado de corrupção, ilicitude e mentira. Quando “os de cima não têm vergonha, os debaixo sentem-se liberados”.

O último princípio motor é o sofrimento. A vida sempre tende a oferecer mais dores do que alegrias. Estas são pequenos intervalos entre angústias e a verdade é que nada mais apropriado do que chamá-la “vale de lágrimas”. Aproveitemos estes flashes: o convívio amorável, a contemplação do pôr do sol, as últimas paisagens, antes que tudo se converta em concreto e asfalto. 

O sorriso das crianças, que continuam a nascer, mesmo com este mundo feio e cruel que estamos construindo para elas. Façamo-lo com um pouco ao menos de consciência. Porque de repente, não mais do que de repente, está ela à nossa espera, para levar-nos sem piedade, rumo ao ignorado, por mais forte seja a crença.

José Renato Nalini é Desembargador da Câmara Especial do Meio Ambiente do Tribunal de Justiça de São Paulo. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Um pensamento sobre “Ninguém quer ser infeliz

  1. Caro amigo e professor Nalini!

    Sei que é um homem de fé, além de convicções morais fortes. Eu acredito que enquanto nascerem crianças, enquanto houver esperança, enquanto a humanidade buscar a felicidade e enquanto as leis melhorarem ainda que os homens não as apliquem com total justiça, é porque não estamos perdidos nem como indivíduos nem como civilização. Acredito que Deus está no comando e que cada um que age em seu nome (pois mesmo sem crer Nele, os bons e justos o fazem), trabalha pelo bem de todos.

    Grande abraço!

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