Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Onde estávamos

1 comentário

O escritor Thomas L. Friedman escreveu no The New York Times um artigo instigante: “A Terra está Cheia”. Começa por indagar como é que daqui a alguns anos será encarada a primeira década do século 21. A humanidade vai se defrontar com falta de alimentos, energia caríssima, população mundial em evidente excesso, catástrofes ambientais. Onde estávamos nos primeiros anos do primeiro século do terceiro milênio, que não evitamos isso? 

Como pudemos ser tão cegos que não sentimos atravessar o ponto crítico do crescimento, aquecimento global, drástica redução dos recursos naturais, tudo de uma vez? A resposta será a negação, de acordo com Paul Gilding, empresário-ambientalista australiano, que escreveu o livro “The Great Disruption: Why the Climate Crisis Will Bring On the End of Shopping and the Birth of a New World (A Grande Ruptura: por que a crise climática trará o fim da compulsão da compra e o nascimento de um novo mundo?). 

Nós estamos comendo o futuro. Gastamos muito mais do que é reposto. Não é ficção científica. É a realidade. Tudo está muito mais perigoso, porque as gerações vivem a 150% da capacidade sustentável. Quando se corta mais árvores do que se planta, não haverá mais árvores. Ao se colocar nitrogênio adicional num sistema de água, altera-se o tipo e a quantidade de vida que a água pode suportar. 

Ao se engrossar o lençol de gás carbônico da Terra, ela ficará mais quente. O trágico é que fazemos tudo isso e outras coisas ao mesmo tempo. A diminuição, deterioração e exaustão de recursos naturais e o desequilíbrio do ambiente ecológico se tornaram gargalos e empecilhos graves ao desenvolvimento econômico e social. A Terra está cheia. O pior é que está cheia de gente burra. 

A visão “otimista” é a de que diante do impacto da Grande Ruptura, a resposta será proporcionalmente dramática. Exatamente como ocorre nas guerras. Mudaremos em escala e velocidade inimaginável. Estamos próximos do limite. Ou vamos permitir que o colapso nos atinja, ou vamos aderir ao sustentável. Para Gilding, podemos ser lentos, mas não somos estúpidos. Mas alguém duvida de que somos capazes de subestimar a estupidez da única espécie considerada racional?

José Renato Nalini é Desembargador da Câmara Especial do Meio Ambiente do Tribunal de Justiça de São Paulo. E-mail:jrenatonalini@uol.com.br.

Anúncios

Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Um pensamento sobre “Onde estávamos

  1. Ótimo texto Dr. Nalini.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s