Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Adeus ao campo

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Infelizmente, o Brasil se urbanizou quase completamente. Há mais brasileiros residindo na cidade do que a percentagem de americanos que preferiram deixar o campo. Lá, são 82% os americanos nas cidades. Aqui, são 84,4%, a evidenciar que a zona rural foi abandonada. A se confiar no Censo de 2010, divulgado pelo IBGE, temos 190,8 milhões de habitantes. Desses, apenas 15,6 milhões ainda moram na zona rural. Infelizmente, a taxa de crescimento é maior entre a pobreza. Coincide com o analfabetismo que, no nordeste, é o dobro da média do país. Enquanto o Brasil possui 9% de analfabetos, o Nordeste tem 17,6% desse contingente. 

O Sudeste, onde estamos, ainda tem alarmante índice de 5,1% dos analfabetos do país. Na capital, o centro recuperou parte da população perdida. Em 2000, eram 413.896 os moradores da região central. Hoje são 477.670 dos dez milhões de paulistanos. Muito pouco ainda, considerado o abandono da periferia e a infraestrutura oferecida aos que optam pelo centro. O Brasil ainda é o país dos contrastes. Se 82,9% dos domicílios têm água, metade ainda não tem rede de esgoto: 55,4% dos 57,3 milhões de domicílios brasileiros; 6,2% dessas moradias não têm banheiro exclusivo. Há 18,9 milhões de lares sem tipo algum de saneamento. Sequer fossa séptica está disponibilizada a eles.

Outro dado: cresce a proporção de mulheres: a cada 100 mulheres, há 96 homens. Os analfabetos já são menos de 10%. A população envelhece: há 7,4% de pessoas com mais de 65 anos; 1,3% das crianças entre 2 e 10 anos não têm certidão de nascimento.

Há 24.233 pessoas com mais de cem anos, 132 mil domicílios são chefiados por crianças de 10 a 14 anos, 6,9 milhões de casas têm um só morador e 2,4 milhões de lares não têm renda. Dependem de benefícios do governo, doações, trocas ou produção própria de alimentos. Enfim, o Brasil não é essa maravilha propalada pelo ufanismo oficial. Resta muito a ser feito. Mas a chave do problema, ainda não enfrentado adequadamente, é a educação. Só a educação liberta. Só ela faz a pessoa enxergar. E a criar, a trabalhar, a reivindicar, a participar. Sem educação não haverá futuro.

José Renato Nalini é Desembargador da Câmara Especial do Meio Ambiente do Tribunal de Justiça de São Paulo. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Um pensamento sobre “Adeus ao campo

  1. Um país tão rico, tanto na riqueza natural, quanto na riqueza econômica. País que está entre os que mais arrecadam tributos. Mesmo assim, em pleno ano de 2011, números absurdos estão à amostra de toda sociedade, principalmente à mundial. Certo que há falta de interesse por parte da maioria das pessoas que estão nesta situação. Mas mesmo assim, grande parcela de responsabilidade é do Governo. Até que existem programas federais que combatem a alfabetização, como, por exemplo, o PBA – Programa Brasil Alfabetizado – regulado pela resolução CD/FNDE nº 32/2011. Não fico vendo TV todos os dias, mas creio que dos poucos momentos que vejo não é divulgado estes programas ou tantos outros que de fato existem. Falta de interesse pessoal e iniciativa governativa ainda são grandes no Brasil.

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