Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Se eles podem…

1 comentário

O Brasil precisa de um safanão ou de um forte puxão de orelhas. A educação ainda capenga em todos os setores. O ensino fundamental não ensina a ler. No ensino médio transmite-se um teor de informações que pouco será utilizado na vida. Na Universidade não se ensina a pensar. A Faculdade de Direito virou um treino para o Exame da OAB. Não há crítica, não há irresignação ou inconformismo. A juventude abúlica parece conivente com o grande festival da corrupção que se instaurou no país. É urgente acordar e reagir. Talvez observando o que outros lugares fazem para recuperar o tempo perdido. A Coréia enfrentou carnificina e é um dos tigres orientais exitosos em virtude do investimento em educação.

 

Investir não significa só aplicar dinheiro. A soma reservada à educação no Brasil seria mais do que suficiente para uma formação de qualidade. O que não existe é vontade, ideia nova, ousadia, criatividade. Geoffrey Canadá, por exemplo, é responsável pelo Harlem Children´s Zone em Nova York. Negro e pobre, nasceu no Bronx, bairro símbolo da degradação urbana. Estudou educação e se formou nas melhores universidades. Para mudar a realidade do Harlem, converteu-se em professor de tae kwon do e com isso passou a trabalhar com os jovens. O intuito era auxiliá-los a controlar a violência. Percorreu quarteirão por quarteirão para criar uma rede de convencimento e proteção. Sem a educação de toda a comunidade, nada seria realizado. Foram criados programas para cuidar da saúde dos estudantes. Desde a cárie até problemas mentais, asma, bronquite e obesidade. Projetos para lidar com álcool, drogas e violência doméstica. Os adolescentes passaram a se interessar por lições de como educar sua prole.

 

Mutirões recuperaram áreas degradadas. A articulação passou a contar com a participação de todos os líderes e voluntários locais. Isso é perfeitamente possível de ser feito aqui. Ao contrário, quais os pais que frequentam a escola, qual a inserção da escola no bairro, qual o reconhecimento que a comunidade confere ao professor modelo? Se os americanos podem, por que não nós? Acaso somos inferiores?

 

José Renato Nalini é Desembargador da Câmara Especial do Meio Ambiente do Tribunal de Justiça de São Paulo. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Um pensamento sobre “Se eles podem…

  1. Caro Dr. Nalini
    Realmente, o sistema de ensino do país está caótico.
    Criaram um conceito de que a cartilha limitava o aprendizado, por não estimular a criatividade – é um fato real, mas ao menos com ela todos sabiam ler e escrever e, depois deste passo básico, podiam ter alguma condição de desenvolver sua noção de criatividade, de senso crítico. Agora, sem nem mesmo dominar a língua pátria, sepultaram qualquer criatividade intelectual.
    Envergonho-me de ver a maior faculdade estadual do país envolvida em rebeliões de alunos que não estão lutando por democracia, por moralização política, por probidade, pela fauna, pela flora, ou por outra causa nobre qualquer, mas sim pelo direito de perambularem pelo campus utilizando-se de drogas, sem qualquer importunação policial. Será que ninguém mais percebe o tamanho da inversão de valores?
    Vejo a mídia dando ampla cobertura a este caso, mas não vi ainda nenhum critíco dizendo com todas as letras que é, no fundo, isso o que está acontecendo!!
    Tantas questões latentes precisando de mobilização da juventude e o que se vê é simplesmente ignóbil!
    Perdoe-me pela extensão do comentário, mas este caso deixou-me verdadeiramente chateada, já que são esses os futuros profissionais que atuarão em nosso país!

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