Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Vergonha de ser lido?

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Conviver com Lygia Fagundes Telles durante as sessões da Academia Paulista de Letras é privilégio que poucas pessoas têm. Orgulho-me disso. Desde 2003, mereço essa graça de ouvi-la. Em condições singulares, pois tenho a honra de trazê-la para casa, já que é minha vizinha. Pois a LYGIA sempre repete que hoje, no Brasil, “todo o mundo escreve. O difícil é encontrar um leitor!”. Há tempos, dizia que eram três as espécies em extinção acelerada: o índio, a árvore e o escritor. Hoje ela substituiu “escritor” por “leitor”.

 

Ao mesmo tempo, alguns intelectuais gostam de escrever de forma complexa, taxando os que são facilmente lidos de superficiais, vulgares, inconsistentes. E se eles cometem o pecado capital de venderem livros, cabem no fosso da crítica. É um pecado vender livro no Brasil! São rotulados como autores de autoajuda, como se isso desqualificasse a obra e o autor. Pois estes dias, Shirley MacLaine de certa forma deu uma resposta a essa postura de quem parece escrever apenas para si mesmo. O repórter de “Encontros com o Estadão” (10.10.11) perguntou: “É correto colocar seus livros nas prateleiras dos esotéricos?”. Ela respondeu: “Sou uma memorialista. Escrevo memórias das minhas experiências e da minha vida. Não me importo em qual prateleira meus livros são colocados. Gosto que sejam colocados na prateleira ao lado da sua cama”.

 

E é isso o que deve preponderar. Chegar ao leitor. Ser compreendido por ele. Encontrar espaço para o livro junto ao antigo “criadomudo” (agora sem hífen?). Quisera ser um Paulo Coelho de minha ética, pois essa a matéria-prima de que o Brasil se ressente. Graças a livros que todos entendem, Padre Marcelo Rossi abreviou a construção do Santuário do Terço Bizantino, que abrigará mais de 100 mil fiéis a partir de 1º de dezembro de 2011. Vendeu mais de 7 milhões de seu livro “Ágape”, prefaciado por Gabriel Chalita, que também é cercado de carinho e de assédio em cada lugar público. Tive a oportunidade de comprová-lo no dia da Padroeira, seja em Interlagos, seja em Aparecida do Norte. É fácil ser complicado. O difícil é ser simples e, mesmo assim, semear sementes viáveis no solo fértil das boas consciências.

 

 José Renato Nalini é Desembargador da Câmara Especial do Meio Ambiente do Tribunal de Justiça de São Paulo. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

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