Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Acordar e enxergar

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Ethan Mc Cord é um soldado norte-americano que foi lutar no Iraque. Estava convencido de que os iraquianos eram todos terroristas, queriam destruir o mundo e, principalmente, a Democracia. Imbuído da melhor das intenções, passou longo período a participar da redenção daquele povo equivocado. Só que a permanência em solo estrangeiro fê-lo enxergar as coisas de forma diferente. Viu uma população que só queria se proteger e à família. Eram pessoas em tudo iguais aos americanos. Os mesmos sonhos, idênticos sentimentos, vontade de viver em paz.

Numa das investidas contra um alvo considerado terrorista, presenciou quando o condutor de uma van parou para socorrer um ferido. Era alguém que nada tinha a ver com a operação de guerra. Estava a exercer o papel do bom samaritano. Mesmo assim, foi metralhado. Ethan viu que havia crianças dentro da van. Eram os filhos do motorista morto que ele ia levar à escola. Estava no lugar errado no momento errado. Esqueceu-se das regras e saiu em defesa das crianças. Viu que elas estavam feridas. Abraçou-as como se fossem seus filhos.

Chorou ao prestar socorro. Não sabia que tudo isso estava sendo filmado. Como, aliás, eram filmadas as atividades norte-americanas em solo iraquiano. Só muito mais tarde assistiu à cena que pretendia esquecer. Felizmente, as crianças foram salvas. Assistiu a uma entrevista com elas e concordou em dar entrevista que percorreu o mundo. Quantos jovens americanos despertaram para essa realidade cruel? Guerra no quintal dos outros em nome de valores que são desrespeitados.

A mesma Pátria que forneceu Eleonor Roosevelt, o grande símbolo dos direitos humanos, parece equivocar-se quando patrocina incursões violentas em solo alheio. Em pleno século XXI, no limiar do terceiro milênio, a guerra é utilizada como substitutivo à política. O homem parece insuscetível de crescer moralmente. Padece da mesma enfermidade crônica e é feito de matéria miserável. Capaz de fazê-lo cruel, inclemente, insensível e ávido de sangue. Ainda existe quem acredite na bondade natural da criatura que, pretensiosamente, se autodenomina a única racional no reino animal?

José Renato Nalini é Desembargador da Câmara Especial do Meio Ambiente do Tribunal de Justiça de São Paulo. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

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