Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

O que ocorre na USP?

1 comentário

Enquanto o Brasil ufanista comemora a inclusão da Universidade de São Paulo no rol das duzentas melhores do mundo, a mídia noticia a invasão de sua Reitoria e a necessidade de atuação da PM para devolvê-la a quem de direito.

A sensação do leigo é a de que os alunos queriam consumir drogas e a PM os impediu. Há quem diga que as reivindicações dos invasores vão além. Na verdade, a maior parte do alunado não ostenta a bandeira do consumo livre de substâncias entorpecentes. Gostariam de uma participação mais efetiva na gestão da Universidade.

Se tais pretensões não chegaram a conhecimento da população, houve falha na comunicação dos reivindicantes. Mas o momento é propício a uma reflexão mais aprofundada a respeito de tal situação. Por um cruel paradoxo, as vagas na USP são reservadas àqueles que tiveram um curso fundamental e médio aprimorado. Os pobres são obrigados a recorrer à Universidade privada, paga e nem sempre com a qualidade desejável.

Seria o momento de repensar o modelo. Por que não cobrar dos alunos que podem pagar? Não é justo que o povo pobre sustente alunado com suficiência econômica e que, aos olhos desse mesmo povo, parece preferir invasões de Reitoria em lugar de estudar. Vista de fora, a crise depõe contra o alunado. Participar dos colegiados, reivindicar, pleitear, exercer até mesmo certa rebeldia, própria à juventude, é normal e desejável. Invadir Reitoria não é argumento. Se é verdade que professores de prestígio estão favoráveis aos alunos, impõe-se que a argumentação chegue a conhecimento dos interessados. E interessados somos todos os que honramos a elevadíssima carga tributária imposta a cada brasileiro, para sustentar uma perdulária e dispendiosa estrutura estatal. 

Também é urgente esclarecer se entre os estudantes invasores todos são zelosos cumpridores de seus deveres discentes e se é inverídica a notícia de que entre eles encontram-se os que já deveriam estar jubilados. 

No momento em que a educação brasileira está na rabeira, em que não se ensina e não se aprende, em que o analfabetismo funcional é o único fenômeno crescente, em nada ajuda o Brasil defrontar-se com episódios como este da USP. O homem de bem merece algo melhor.  

 

José Renato Nalini é Desembargador da Câmara Especial do Meio Ambiente do Tribunal de Justiça de São Paulo. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Um pensamento sobre “O que ocorre na USP?

  1. estou de pleno acordo com o sr. acho o maior absurdo alunos de familias abastadas estudarem de graça ou melhor estudarem em uma escola em que é paga pelos pobres pois os mesmos são maioria na nossa população. parabéns pelo seu comentario

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