Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Criar, mas com ética

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A Universidade brasileira se assenta, por comando constitucional, em 3 pilares: ensino, pesquisa e extensão. Mas a sociedade consumista e imediatista já não tem interesse em pesquisas aprofundadas, ou que demandem longos períodos. Impõe aos docentes a urgência na elaboração de textos científicos e na sua publicação em veículos “qualis”, ou seja, credenciados para agregar valor ao currículo.

Isso faz com que boa parte dos professores tenha dificuldade em criar e aproveite a facilidade de se valer de pesquisa alheia para dar a falsa ideia de ser um pesquisador criativo. Multiplicam-se as hipóteses de plágio, o que significa a mera cópia de partes integrais de um ou mais trabalhos já publicados, sem aspas ou mesmo sem a citação dos autores. 

Mas essa não é a única fraude que a Universidade constata em nossos dias. Fala-se em “produção salame”, com a divisão do resultado de um trabalho em várias partes, o que “rende” a publicação de vários artigos. Também é comum a disseminação da ideia do “Clube da coautoria”: cedem-se os nomes para figurar como coautor, com retribuição da gentileza na reciprocidade que deve caracterizar o bom convívio entre “pássaros de igual plumagem”.

A “máfia da citação” é a praxe de se incluir o nome de alguns cientistas respeitados em seu trabalho, para que este – ainda como reciprocidade gentil – também cite o nome de quem se lembrou dele em futuros trabalhos. O autoplágio é a publicação de artigos semelhantes em várias revistas, com pequenas modificações, como se fossem produto virgem de seu talento. 

O Brasil ainda não tem regras claras para prevenir e sancionar os casos de fraudes científicas. O CNPQ – Conselho Nacional de Pesquisa Científica noticiou que deve criar uma comissão nacional com essa função. Para o Presidente do CNPQ, Glaucius Oliva, é preciso “introduzir o conceito de ética em nossos pesquisadores”. E isso também é importante para educar a rapaziada. 

Com a facilidade na busca em instrumentos das redes sociais e a contratação de profissionais que elaborem os TCCs – Trabalhos de Conclusão de Curso ou as monografias para obtenção dos diplomas, a indústria da falsidade está em alta num país que prima pela falta de moral em todos os níveis.

José Renato Nalini é Desembargador da Câmara Especial do Meio Ambiente do Tribunal de Justiça de São Paulo. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

3 pensamentos sobre “Criar, mas com ética

  1. O estudo e a produção científica passam pelos mesmos problemas do País. Sem contar os entraves, como mensalidades que beiram os 2 mil reais para um mestrado no interior de SP. Absurdo !

  2. Dr. José Renato: é incrível a apliação da imoralidade e da “indústria da falsidade” . Nos bancos da graduação, inovações inusitadas na prática da “cola”: discentes gravam o conteúdo da matéria objeto da avaliação para depois, durante a aplicação da prova, fazer a captura pelo fone de ouvido oculto sob cabelos longos ou bonés estratégicamente colocados. Tablets são colocados abaixo dos assentos e com naturalidade vislumbrados entre os membros inferiores.
    Parece sem razão o poeta que disse que no fundo “somos todos gregos”…
    Um abraço de Maria de Lourdes Bello Zimath

  3. Desembargador, com a sua saída da presidência da Comissão de Concurso da Magistratura do TJSP os certames vão continuar seguindo os moldes do exame 183o? Lembro que o Senhor comentou muito sobre a escolha de pessoas vocacionadas e gostaria que as provas continuassem tendo esse escopo. Pena que o Senhor deixará a função! Abraço.

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