Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Há quantos séculos?

1 comentário

Em 2011 celebra-se o centenário de nascimento do Ministro Carlos Thompson Flores, nascido em Montenegro-RS e nomeado para suceder o Ministro Prado Kelly no STF, em 1968. Seu neto, o desembargador federal Carlos Eduardo Thompson Flores Lenz, em exercício no TRF da 4ª Região, escreveu primoroso ensaio a contemplar a vocação, carreira e principais julgamentos do notável magistrado.

Os votos e manifestações do Ministro Thompson Flores mereceriam publicações autônomas, tantas as lições neles contidas. Mas a sua contribuição para aprimorar a Magistratura poderia ser sintetizada em seu conceito de Justiça: 

“Justiça que brote de Juízes independentes, sem falsos ou mal compreendidos exageros. Justiça austera, impoluta, incorruptível, como se faz mister o seja, e para cujos imperativos prosseguiremos indormidos e intransigentes. Justiça humana, como merece distribuída às criaturas, feita à imagem de Deus. 

Justiça que jamais se aparte dos fins sociais e das exigências do bem comum, sem cujo conteúdo não teria nenhum sentido. Justiça que se aproxime do próprio Povo, para o qual é ditada e do qual deve estar sempre ao alcance: simples, real, despida de tudo que a possa tornar dificultosa, a fim de que a compreenda melhor, sinta-a com mais fervor, e possa, assim, nela crer, para amá-la, prestigiá-la e defendê-la, se preciso for, convencido que ela é o seu baluarte democrático e a sua mais sólida garantia. E, sobretudo, Justiça pontual, como a queria Rui, porque tarda não mereceria o nobre título. E como dizia, reclamando.

“Para que paire mais alto que a coroa dos reis e seja tão pura como a coroa dos santos”. Só assim nos tornaremos dignos do respeito e da confiança da Nação, ao lado dos demais Poderes da República”. Bastaria essa página para eternizar o magistrado de carreira que também lecionou e permaneceu em atividade ininterrupta por meio século. 

Atuante, cavalheiro e cortês no trato, mesmo ao presidir o STF, entre 1977/1979. Aposentou-se na compulsória em 1981 e viveu até 16.4.2001, quando morreu aos 90 anos. Mudou o Judiciário quanto a seus ideais? Há quantos séculos se produziu a oração acima? O que pensam dela os jovens que hoje a integram? Creem nela e a vivenciam?

 

José Renato Nalini é Desembargador da Câmara Especial do Meio Ambiente do Tribunal de Justiça de São Paulo. E-mail:jrenatonalini@uol.com.br.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Um pensamento sobre “Há quantos séculos?

  1. Querido Mestre,

    O Judiciário continua com seus idais, o que mudou foi o ideal de alguns que o compoem pois, almejam o “cargo” de juiz como forma de status e não como missionários a acalentar as dores daqueles que se socorrem de seus préstimos.
    Abraço cordial

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