Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Perdão, Menino!

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Considero-me cristão e filho de Deus. Portanto, irmão de todas as pessoas. Mas eu me comporto de acordo com essa filiação e a consequente irmandade? Obviamente não. No dia em que a Cristandade celebra o nascimento Daquele que assumiu a condição de criatura, única forma de redimi-la do pecado original, talvez seja o caso de me encarar e assumir minhas falhas. O que se esperaria de um verdadeiro crente? Uma postura que não é a minha. Dos primeiros cristãos, dizia-se: “Vede como se amam!”. Era a senha para identificação da nova seita. Dos cristãos de hoje, se eu fosse o exemplo, poder-se-ia dizer: “Sepulcro caiado!”. No dia de seu aniversário humano, Menino Jesus, eu peço perdão.

 

Perdão por não ter caridade. Nem aquela mais simples, que é ajudar o necessitado, nem a mais sofisticada: aceitar os outros como são. Não consigo dar a outra face. Vejo-me derrotado em amar até os amigos, quanto mais os inimigos. Perdão por não ter esperança. Como se fora um incréu, acho que a humanidade não tem mais jeito. Desiludo-me diante da falta de compostura, da falta de brio, da falta de ética e de vergonha na cara. Sou crítico em relação ao outro, mas tenho uma trava nos meus olhos. Faço nada para mudar as coisas. Só lamentar, lamuriar, reclamar, como um velho ranzinza. Perdão por não ter fé.

 

Sempre propalei ser vulnerável em caridade, mas não me faltar crença e esperança. Mas, pensando bem, minha fé não se sustenta. É fragílima. Se realmente fosse crente, não me comportaria como se fosse viver até o infinito. Não me preocuparia com o acidental. Não perderia tanto tempo com aquilo que em nada me acrescenta. Tivera um grama de fé e produziria toneladas de exemplos. Mas como sou um animal falante, emito muitos sons, mas a minha conduta é lastimável. Falho como pessoa: como filho, sobrinho, neto. Pai e irmão. Amigo e profissional. Se me comportasse como verdadeiro filho de Deus, honraria de verdade meu Pai. Mais preocupado com o folclore, impregno-me de consumismo e mergulho na onda que nada tem de cristã. Por tudo isso e por muito mais que Você sabe, perdão, Menino Jesus! 

 

José Renato Nalini é Desembargador da Câmara Especial do Meio Ambiente do Tribunal de Justiça de São Paulo. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

3 pensamentos sobre “Perdão, Menino!

  1. Excelente reflexão sobre a nossa verdadeira fé e de quão distante estão nossos atos de nossas palavras. Me pego todos os dias me perguntando se sou verdadeiramente cristã e meu exame de consciência me mostra que sou muito pouco. Mas tento a cada dia, humana que sou, melhorar. Que em 2012 possamos ter atitudes em nos transformar em seres humanos melhores.

  2. Uma oração que toca nosso coração .

  3. Uma oração como deveria ser feita por cada um de nós. Um texto sincero e, por tal motivo, comovedor.
    Qual ser humano poderia dizer-se integralmente cristão? Amar como Jesus nos amou, como São João O amou, como São Francisco de Assis amou a todos e a tudo, como São Paulo amou a ponto de dedicar toda a sua vida à divulgação da Boa Nova, após perceber seu erro… Sem falar nos que permaneceram fora dos relatos dos Evangelistas. São tantos exemplos!
    Nós temos a obrigação de reconhecer a nossa condição ainda inferior na Cristandade. É um ato de humildade. Porém, compararmo-nos a tão gradiosas figuras Cristãs seria, acredito, agravar nosso sentimento de culpa, o que em nada contribuiria para as nossas tarefas outorgadas por Deus.
    Tomemos os exemplos dos mártires, do Messias, e tentemos seguir suas pegadas, fazendo bom uso dos instrumentos que Deus concedeu a cada um de nós: o dinheiro, as possibilidades profissionais, as habilidades que temos.
    Professor Nalini, realizar o trabalho com amor e com ética, dedicar o tempo a ensinar as pessoas a refletirem, transmitir o conhecimento àqueles que querem aprender, e, acima de tudo, exemplificar as lições dadas, tudo isso já é fazer caridade. E, diga-se, caridade das mais complexas.
    Não nos esqueçamos das palavras de São Pedro: um ato de amor (caridade) cobre uma multidão de pecados. Quais falhas podem se comparar ao trabalho honesto de uma vida inteira?
    Permita-me estender um pouco mais: lembremo-nos de que São Paulo, por exemplo, chegou a perseguir os Cristãos, até com certa ferocidade, antes do seu momento de graça com o Cristo, mas que, depois, usou sua energia e a facilidade no uso da palavra na comunicação, para propagar a Boa Nova, trabalho essencial para que o Cristianismo ultrapassasse os muros da Palestina e de Israel, espraiando sua luz para o resto do mundo.
    Façamos a nossa parte com as possibilidades que Deus nos deu.
    Afora a vida pessoal, da qual nada sei, o seu trabalho, professor, até onde posso acompanhar, tem sido importante para a Magistratura, para a sociedade, além de inspirar os mais jovens nos tempos atuais, em que nos falta uma referência na “comunidade da esperteza” em que vivemos. São várias as sementes plantadas, cuja colheita, porém, cabe a cada um. Mas aí já não é seu papel.
    Acredito que isso não seja pouca coisa.
    Deus o vê.
    Abraço!

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