Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Não adianta prometer

1 comentário

Primeiro dia do ano e a tendência das resoluções que já se incorporaram na praxe ocidental. Há quem faça listas de propósitos a serem perseguidos durante os próximos doze meses. Não falta a intenção de se exercitar, de parar de fumar, de aprender inglês, de reformar a casa, de iniciar um novo curso. Também já entrei nessa onda. E não fiz o mínimo do que prometera. Tenho a certeza de que 2012 me verá como sempre fui. 

Não consigo deixar de recortar notícias e reportagens que prometo reler com calma e incorporar em artigos ou aulas. Resultado: tenho uma dispensa que é um depósito de papel velho, empoeirado e desatualizado. E onde a coragem de me livrar dele? Há mais de 30 anos prometo terminar os álbuns de meus filhos, com fotos e recortes. Do primeiro ainda fiz algo. Dos demais, coleciono caixas e caixas de lembranças. Há livros que comprei e nem abri. 

Chego ao paroxismo de comprar mais de uma vez o mesmo livro. Morrerão virgens? De que adianta possuí-lo se não assimilo o seu conteúdo? Preciso reformar o apartamento. Tudo com ar de velho e depauperado, como o dono. Mas antes tenho de me livrar do acúmulo de coisas que fui juntando. Onde a coragem de fazê-lo? As visitas às pessoas queridas, algumas debilitadas, ficam adiadas para o “dia de São Nunca”. Plantar mais árvores, ampliar os jardins, ter ao menos um exemplar de cada frutífera da mata atlântica, formar uma biblioteca ambiental junto à chácara…

Promessas e mais promessas. Escrever um livro de contos, para reproduzir o surrealismo da Justiça valendo-me do manto ficcional, contar a história dos antepassados, reformar os túmulos da família, fazer o traslado dos restos mortais de meu tio, Monsenhor Venerando Nalini, para a cripta da Catedral. Tudo está na fase da cogitação. O que sei é que não conseguirei responder os cartões de Natal. 

Nem agradecer àqueles que me cumprimentaram pelo aniversário. Ou ao menos ordenar os livros de ética e filosofia, que são os de que mais me sirvo na função da qual daqui a pouco me despedirei. Adquiri, ao menos, consciência de minha falência de propósitos. Sei que não adianta prometer, porque não cumprirei a promessa. Mesmo assim, Feliz Ano Novo para todos.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Um pensamento sobre “Não adianta prometer

  1. Feliz Ano Novo ! O senhor faz tantas outras coisas, que algumas acabam ficando de lado. Um ser humano não poderia dar conta de tudo ao mesmo tempo. Quem sabe , priorizar uma delas , e começar, aliviaria a culpa. Abraço.

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