Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Quando vai explodir?

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Em 2010, a expectativa de vida do brasileiro alcançou 73,5 anos. Onze anos foi o aumento da expectativa entre 1980 e 2010. Em 1960, o tempo de vida médio do brasileiro era de 48 anos. Se esse compatriota for mulher, em lugar dos 73 anos, 5 meses e 24 dias, viverá 77 anos e 3 meses. Foram 25 anos de salto na longevidade entre 1960 e 2010. Isso porque houve melhorias sanitárias e queda na mortalidade infantil. Os homens, além de viverem menos – considere-se o número de viúvas em comparação com o de viúvos – morrem mais quando jovens. As mortes violentas disparam quando se cuida de rapazes. Não é só a criminalidade, com o tráfico ajudando a acabar com a raça. É também o impulso, a velocidade, as motos contribuindo com índices alarmantes de mortes no trânsito.

O reflexo de mais longevidade é o aumento dos custos com saúde e previdência. E fica escancarada a insensatez da Administração Pública ao expulsar dos quadros de trabalho aquele que completa 70 anos. O exemplo da Magistratura, do Ministério Público, das Procuradorias, da Universidade, é nítido. Conheço colegas aposentados que já completaram mais de 90 anos e, portanto, estão há décadas percebendo proventos. Seus substitutos também já se aposentaram. Quem acha que a Previdência vai aguentar a satisfazer seus compromissos? Os brasileiros terão de se acostumar com a ideia de que a aposentadoria por tempo de contribuição vai acabar. O Brasil é um dos últimos países em que isso ainda ocorre. Só se aposentará, num futuro próximo, por idade. Está em estudos a Fórmula 95 – soma da idade da pessoa com o tempo de contribuição.

Aposentadorias vergonhosas, com a contagem dupla ou tríplice, vantagens por algumas situações especiais, tudo isso está com os dias contados. Um bom início será a extinção da compulsória. Quem está com saúde e tem vontade de trabalhar deve continuar em atividade. O país precisa disso. Os jovens vão reclamar. Custa um pouco aprender que juventude é alguma coisa que o tempo cura. Irremediavelmente, a velhice chegará para todos. A alternativa é ruim: seria morrer cedo. O que ninguém quer.

José Renato Nalini é Corregedor Geral da Justiça do Estado de São Paulo, biênio 2012/2013. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

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