Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

O que é um parente?

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Parentesco, juridicamente, é uma relação civil entre pessoas por consanguinidade ou afinidade. Filho é parente de seus pais. E de seus avós. Cônjuge não é parente, no sentido estrito da lei civil. E o parentesco se conta por graus. A partir de um certo ponto, já não se é parente. Embora o nome de família seja o mesmo, haja semelhança física ou proximidade afetiva.

A consanguinidade não garante a estima recíproca. A experiência da vida e, principalmente, do foro judicial, mostra que tais laços não obrigam ao respeito, ao amor, à solidariedade. Quando entra em questão o dinheiro ou interesses financeiros, vê-se irmão a desconhecer irmão, pais deserdarem filhos. Quem não se lembra de casos recentes em que filha matou os pais e o neto matou avós, tudo para assenhorear-se da fortuna?

Um filme bastante interessante é “Parente Serpente”, de uma família italiana que parecia muito amorável. Bastou os pais idosos anunciarem que aceitariam morar com um dos filhos e houve uma reviravolta no clima. Vocês sabem como acabou a estória. Também o filme “Mamãe Faz 100 anos” é eloquente relato de como se porta a família quando se trata de arcar com responsabilidades, trabalho ou despesas.

Tudo isso para dizer que família, na verdade, é aquele grupo que se elege. Se “parente é acidente”, com a amizade não se tem o direito de errar. Se o amigo não presta, não é vergonhoso abandoná-lo e procurar outro. Amigo é aquele que você pode procurar a qualquer hora. Chegar sem avisar. Amigo de verdade é quem esteve ao seu lado quando você se viu obrigado a enterrar irmão, pai e mãe. Esse é que merece ingressar na sua família do coração.

Invocar parentesco quando nunca se viu, quando deixou de procurar a família da qual só se lembra na necessidade, é alguma coisa que não comove. Família é aquele grupo que se frequenta, que se cultiva, que se cativa. 

Nada impede o relacionamento, a cordialidade ou a polidez com qualquer pessoa. Mas não faz sentido considerar-se “familiar” quando o convívio nunca existiu ou foi abandonado antes sequer de um contato pessoal. Por isso, quem quer família, dela deve cuidar muito bem. Até por interesse. Nunca se sabe quando se vai precisar de um parente. 

José Renato Nalini é Corregedor Geral da Justiça do Estado de São Paulo, biênio 2012/2013. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

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