Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

A imperatriz humilhada

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Continuo a falar da princesa injustiçada, Leopoldina, a primeira Imperatriz do Brasil, uma imperatriz humilhada. Sofrendo com os maus- tratos do marido, por quem era apaixonada, Leopoldina foi definhando e ninguém duvidava de que em breve deixaria de viver. Já em seu leito de morte, ditou à marquesa de Aguiar sua última carta à irmã Maria Luísa, segunda mulher de Napoleão, que então vivia na Itália. Dela se extrai: “Minha adorada mana. 

Reduzida ao mais deplorável estado de saúde e chegada ao último ponto de minha vida, no meio dos maiores sofrimentos, terei também a desgraça de não poder eu mesma explicar-vos todos aqueles sentimentos que há tanto tempo existiam impressos na minha alma. Minha mana! Não vos tornarei a ver! Não poderei outra vez repetir que vos amava e adorava. 

Pois já que não posso ter essa inocente satisfação, igual a tantas outras que permitidas me não são, ouvi o grito da vítima que de vós reclama não vingança, mas piedade e socorro de fraternal afeto para inocentes filhos que órfãos vão ficar em poder das pessoas que foram autores de minhas desgraças, reduzindo-me ao estado em que me acho, de ser obrigada a servir-me de intérprete para fazer chegar até vós os últimos rogos de minha aflita alma… 

Há quase quatro anos, minha adorada mana, como vos tenho escrito, que por amor a um monstro sedutor me vejo reduzida ao estado de maior escravidão e totalmente esquecida do meu adorado Pedro. Ultimamente acabou de dar-me a última prova de seu total  esquecimento, maltratando-me na presença daquela mesma que é a causa de todas as minhas desgraças. Muito e muito tenho a dizer-vos, mas me faltam forças para me lembrar de tão horroroso atentado que será, sem dúvida, a causa da minha morte”.

Não inventei isto. Consta de um livro de Isabel Lustosa, “D.Pedro I: Um herói sem caráter” (Cia. das Letras, 2006) e foi reproduzido em livro muito interessante: “Capitais Migrantes e Poderes Peregrinos. O caso do Rio de Janeiro”, de Bárbara Freitag, (Editora Papirus, 2009). Leopoldina morreu em 11.12.1826. José Bonifácio afirmou: “Pobre criatura! Se escapou ao veneno, sucumbiu aos desgostos”. Pois comentou-se, à época, poderia ter sido envenenada.

José Renato Nalini é Corregedor Geral da Justiça do Estado de São Paulo, biênio 2012/2013. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Um pensamento sobre “A imperatriz humilhada

  1. Em um mundo onde os valores são corrompidos, onde títulos dão um falso poder e uma imagem irreal de valores, não é de se surpreender que aquele que nos “libertou” por mera e imatura rebeldia, tenha agido como um canalha, que sem dirigir decentemente a própria existência e de sua família, liderava a existência dos brasileiros…

    Obrigada, Professor, por compartilhar essa história e o nome da obra que a contém. Muita paz!

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