Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Falácias ufanistas

1 comentário

Não satisfeitos com a revogação do Código Florestal de 1965, produzido sob inspiração do Ministro da Agricultura à época, os “desenvolvimentistas” ainda querem se vangloriar da façanha. Os argumentos continuam os mesmos. A Europa foi o caso emblemático da mais completa devastação de sua cobertura vegetal. Hoje possui 0,1% de seu território coberto de árvores. A África tem pouco mais de 5% da vegetação original. 

Enquanto isso, o Brasil poderia se orgulhar de possuir 30% de todas as florestas do planeta. O discurso procura atenuar a verdade incontestável: continuamos a destruir o verde. A um ritmo avassalador. O Brasil chega ao cúmulo de festejar a redução das áreas destruídas, fazendo operações aritméticas para provar que num ano se derrubou menos árvores do que no ano anterior. Mas não lembra que a queimada continua.

E comemora a queda demolitória, como se fosse algo ensejador de orgulho. É incrível não se tenha descoberto ainda que a desertificação ocasionará o desaparecimento da vida na Terra. A mata equilibra o clima, estabiliza o regime pluviométrico, renova a oxigenação. Ameniza o efeito estufa, embeleza a paisagem. Pensar que o Brasil já ostentou a luxuriante mata atlântica em seus oito quilômetros de costa e tudo foi eliminado em pouco mais de 400 anos, período muito curto para tamanha tragédia! 

A última esperança é a criação de uma nova mentalidade nas crianças. Estas é que devem alertar seus pais sobre os perigos da eliminação da biodiversidade. Estas é que devem exigir do Poder Público regras mais restritivas em relação às áreas de preservação permanente, à preservação do patrimônio natural que ninguém construiu, mas que a cobiça e a cupidez conseguem excluir para resultar em imenso, irreparável mesmo, prejuízo para toda a humanidade. 

A minha geração foi muito inconsequente. As que vieram depois têm sido negligentes. A inconsciência ainda reina. Responderemos por isso. O julgamento da História será extremamente rígido em relação aos detratores da natureza. As crianças, quando adultas, serão forçadas a restrições e a traumatismos, tudo por sermos cegos, surdos, insensíveis aos estertores de uma natureza que agoniza, depois de tanto clamar por socorro.

José Renato Nalini é Corregedor Geral da Justiça do Estado de São Paulo, biênio 2012/2013. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

Anúncios

Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Um pensamento sobre “Falácias ufanistas

  1. Dr. Renato: as crianças são a esperança, mas seria muito importante que as escolas despertassem essa consciência , pois muitos pais são falhos neste aspecto . Sempre acredito no trabalho de formiguinha, pode ser ilusão , mas acho que tem efeito. Medidas simples, como o senhor fala em época de eleição, entregar para os eleitores, uma muda de árvore, no lugar de ” santinhos”. Para as crianças, plantar algo no dia de entrada na escola e acompanhá-la até o dia de saída, delegar esta tarefa para o coleguinha novato , contar estórias , onde as crianças possam se colocar no lugar das plantas que não são molhadas, que são agredidas , enfim…o desperdício de água , a poluição do ar, sonora, enfim…basta boa vontade. A criança fica ” linda ” emocionalmente quando se envolve com uma causa e é fiel a ela . Cabe a nós estimulá-las.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s