Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Um século de favela

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Esse o nome do livro de Alba Zaluar e Marcos Alvito, para continuar no tema que deve motivar todo brasileiro consciente nesta nova década. Os autores conseguiram evitar a “demonização” indiscriminada da favela e dos favelados e, ao mesmo tempo, a falaciosa “romantização” da vida alegre e despreocupada do morro.

O paradoxo é conhecido de todos. De um lado, as pessoas repudiam o favelado. Têm medo e receiam sua proximidade. De outro, músicas como “Barracão de Zinco” ou “Manhã de Carnaval” mostram a vida no morro como algo lúdico e lírico.

A favela é um fenômeno recente. Data de 120 anos. Mas dissemina-se de forma avassaladora, como se fora metástase social. O campo foi dizimado. A falta de uma política pública favorável à radicação do lavrador na lavoura fez surgir o grande empresariado do agronegócio, este mesmo que acabou por revogar o Código Florestal. Expulso da terra, o rurícola vai aumentar a população favelada em todas as cidades. Qual a cidade brasileira que não tem favelados ou similares?

O enfrentamento da questão varia conforme o governo. Na era Vargas, especialmente durante o Estado Novo, pensou-se em substituir a favela por “parques proletários”, numa visão sanitarista. Vitor T. Moura propôs ao ditador as seguintes medidas para brecar a expansão das favelas: a) o controle da entrada, no Rio de Janeiro, de indivíduos de baixa condição social; b) o retorno de indivíduos de tal condição para os seus estados de origem; c) a fiscalização severa das leis que proíbem a construção e reforma de casebres; d) a fiscalização dos indivíduos acolhidos pelas instituições de amparo; e) a promoção de forte campanha de reeducação social entre os moradores da favela, de modo a corrigir os hábitos pessoais e incentivar melhor moradia”.

Tais medidas equivaliam a excluir a população pauperizada da cidade. Ainda existe quem pense que tal solução é a única para uma população que só tem de superabundante a fertilidade. Enquanto casais abonados às vezes lutam para ter um filho, a marginalidade procria de forma prolífica, a gerar indivíduos que os incluídos nunca chegarão a considerar “semelhantes”. Entretanto, é urgente enfrentar tal desafio.

 

José Renato Nalini é Corregedor Geral da Justiça do Estado de São Paulo, biênio 2012/2013. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

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