Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

O poder dos introvertidos

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Pesquisas sugerem que as pessoas são mais criativas e eficientes quando fruem de certa privacidade. Mesmo com toda a conversa digital, escritórios sem divisórias, oficinas de trabalho compartilhado, redes sociais e aprendizado em grupo, a solidão é o caminho para a inovação, a conquista e a percepção profunda. Susan Cain escreveu um livro interessante: “Silêncio: o poder dos introvertidos em um mundo que não consegue parar de falar” (Quiet: The Power of Introverts in a World Tha Can´t Stop Talking). Ela diz que nossa cultura é tão adepta do gregarismo, que desprezamos a parte silenciosa do processo criativo.

 

Na verdade, somos encurralados em reuniões intermináveis ou ligações inoportunas. A falta de privacidade torna as pessoas hostis, inseguras e distraídas. As chances de sofrer pressão alta, estresse, gripe, exaustão e cometer mais erros aumentam. Há quem se recuse a aceitar isso. “Goste-se ou não, a criatividade humana torna-se cada vez mais um processo de grupo”, diz Jonah Lerer, adepto do “brainstorming”. Essa discussão catártica de ideias já é bastante utilizada no Brasil. Mas muito melhor do que o pensamento em grupo, é se afastar e recuar para dentro de si mesmo.

 

Um retiro silencioso e solitário, conhecido como “lerung”, parte de uma prática do budismo tibetano está em moda. Centros de meditação e retiro nos Estados Unidos oferecem refúgios isolados por 25 dólares a noite. É uma tendência norte-americana contemporânea, cultivada por quem acredita que a solidão se tornou mercadoria rara no mundo totalmente conectado. Olhando para dentro de si mesmo, o ser humano aprende o que é saudável para ele, o que se quer realmente na vida.

 

Aprende-se a distinguir o que se quer e o que se quer deixar. Pode ser que o cansaço venha desse excesso de gente ao redor da gente. Então, chega-se à conclusão de que o que atrapalha são os outros. Como fazer para deixar de lado, senão todas, ao menos grande parte das outras pessoas? Talvez não se precise chegar a tanto. Mas que um pouco de solidão, desde que escolhida, faz bem à alma. Quem não consegue se aguentar, como pretende que os outros o suportem?

 

José Renato Nalini é Corregedor Geral da Justiça do Estado de São Paulo, biênio 2012/2013. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

4 pensamentos sobre “O poder dos introvertidos

  1. “As grandes árvores crescem no silêncio e na penumbra da floresta.”

  2. Adoro ficar só. Me sinto segura e protegida para me tornar uma pessoa melhor. Aguça minha necessidade de ser útil. Talvez seja por isso que tenho facilidade de me comunicar e entender as pessoas.

  3. Bom, me considero uma pessoa introvertida, tenho poucos amigos, raríssimos momentos de lazer, auto-estima baixa e acabo me isolando mesmo estando na presença de grupo, por isso, acredito que as pessoas confundam um pouco a introversão com o desejo de, momentaneamente, ficarem sozinhas, seja devido a correria do dia-a-dia ou por momentos de reflexão.

    A introversão em si não é um mar de rosas como Susan Cain escreveu em seu livro, que por sinal é um livro muito bem escrito, porém, tendencioso, pois na minha opinião ela cria uma imagem de que os introvertidos são pessoas que estão quase um nivel acima da evolução de tantas qualidades existentes no livro, confesso, que o livro é um bom massageador de ego, principalmente para quem tem problemas de timidez.

    Mas a verdade é que as pessoas introvertidas ou timidas nem sempre levam uma vida muito facil, começa no colegio como alvo dos bullyings e se estende pela vida adulta, sendo vista como pessoas arrogantes ou mesmo metidas pelo simples fato de não conseguirem se relacionarem por nao terem habilidades sociais suficientes para isso, o que por sua vez acaba gerando sentimentos depressivos e conflitantes quanto a suas capacidades.

  4. É o silêncio ou o debate que faz nosso país andar manco?

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