Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Eduardo Souza Filho, o Mano

3 Comentários

Lembro-me exatamente do dia em que conheci o Mano. Ele acabava de voltar da Suécia, eu estava com um amigo comum. Ao vê-lo, nosso amigo parou o carro diante da Matriz (ainda não era Catedral) e os dois se abraçaram e pularam de alegria. Até então, ele não era amigo meu. Embora conhecesse sua fama e façanhas. Tornamo-nos logo íntimos.

Passei a frequentar sua casa e sua mãe, Vitória Furlan de Souza, deu-me o primeiro emprego no Hospital do Sesi, para substituir funcionária gestante. Entrei naquele mundo novo. Mano era superdotado. Passava em todos os vestibulares, mas não conseguia se submeter à disciplina das aulas. Estava anos-luz à frente de seu tempo. Hoje existe um consenso de que as aulas padronizadas para um alunado heterogêneo apenas imbeciliza. 

Descoberta que Montaigne fez há mais de 500 anos e que ainda não se conseguiu corrigir. Basta verificar o padrão educacional do Brasil. Era genial. Criativo, inventivo, inovador, desafiador, rápido nas ideias. Provocava quem o ouvia. Argumentos irrefutáveis. Mas tinha o lado emotivo, sensibilidade e excelente humor. Leal e afetuoso. Envolvente e solidário. Não foi por acaso que teve tantos amores. 

Até se casar com Susana e se tornar o orgulhoso pai de Hannah. Lembro-me da escultura que ornava a bela casa da praça que passou a se chamar Dr.Eduardo de Souza. Das festas que ele comandava e D.Vitória e Mariângela propiciavam. Dos vatapás, da porta sempre aberta, das amizades novas, sem prejuízo das antigas. Da insólita mania de fazer visitas a qualquer hora do dia e da noite. Quando meu primeiro filho nasceu, eu ainda me hospedava em casa de meus pais, à rua XV de Novembro. 

Altas horas e chega ele, com o Conrado Malzoni, para ver o João Baptista que fazia muito já estava dormindo. O Mano dos festivais do Clube Jundiaiense, dos sonhos lúdicos e dos sonhos loucos, da campanha de Vitória para a Prefeitura, da alegria incontida, das gargalhadas, dos jantares em casa do Inos, de uma inesquecível viagem a Ilhabela, onde ficamos na fazenda de Fileno de Sá e Benevides. Esse o Mano que não quero esquecer. E que a esta hora deve estar aprontando no céu, sob o riso disfarçado e cúmplice da Vica e do Dr.Eduardo.

José Renato Nalini é Corregedor Geral da Justiça do Estado de São Paulo, biênio 2012/2013. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

3 pensamentos sobre “Eduardo Souza Filho, o Mano

  1. Perfeito!!!!O Mano foi um cara genial!!!

  2. Renato, Renato dos nossos tempos de juventude. Do café científico. Das noites em que versávamos sobre os mais diversos assuntos até alta madrugada! Do bem querer que emocionava a todos! Das alegrias e tristezas que nos rodeavam. Tudo isto ainda existe dentro de nós. O envelhecer nada é mais que um fato corriqueiro. A casa da Vitória permanecerá em nossos pensamentos como uma bela pagina da nossa história. Eduardo, de onde estiver, estará partilhando conosco. Seu texto aflorou como um relato de nossas mais sublimes lembranças.

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