Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Pituca Bárbaro

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A primeira vez que vi Pituca ela era uma garota de seis anos, dentro de uma liteira, carregada por escravos. O desfile dos 300 anos de Jundiaí, comemorados em 1955. Logo depois, por estudar junto com seu irmão, Luiz Francisco, o “Picoco”, no Divino Salvador, passei a frequentar sua casa. Assisti e participei de seu crescimento, adolescência, juventude e maturidade. Seus quinze anos foram comemorados de forma soberba. 

Durante o dia, todas as casas de recolhimento de crianças e idosos receberam a generosidade de Leta e Oswaldo, felizes com o début de sua única filha. À noite, a magnífica recepção no “Balaio”, depois “Belvedere”, depois demolido. Dancei a valsa com Sarita Rodrigues de Oliveira, junto com outros catorze casais. Nada se igualou a seu casamento com Oswaldo Negrini Coutinho. 

No Clube Jundiaiense reuniu-se a Jundiaí tradicional e a política paulista, pois o pai do noivo, Álvaro Coutinho, era Secretário da Fazenda e pessoa muito relacionada. Fui seu padrinho, junto com Chãins Miranda Duarte. Foi em casa de Pituca e Vadinho que eu me hospedei quando estudava para o concurso de ingresso ao Ministério Público em 1972. Em 1976, retribuíram: foram meus padrinhos de casamento com Maria Luíza. Pituca estava grávida de Maria Fernanda, que nasceu em 26.10 daquele ano, para fazer companhia ao José Oswaldo. 

Era, na verdade, uma irmã, assim como Raquel e Jane Rute. Minha mãe a adorava. Sempre estivemos perto. Amizade verdadeira, de família escolhida, de poder chegar sem avisar. Pois essa Pituquinha vai aprontar contraindo câncer. Doença maldita, terrível, cujo nome ainda aterroriza. E para a qual não há remédio. Houvera e meu confrade Antonio Ermírio teria salvo seus dois filhos que premorreram aos pais, trazendo infinita tristeza. 

Assim como estamos hoje, ao lembrar a alegria de Pituca, dominando os salões com seus passos elegantes, brilhando com sua alegria, sempre “up to date”, sorrindo, gargalhando, brincando, amável, amorável, fraterna e querida. Há explicações para a morte prematura? Continuamos frágeis, miseráveis, impotentes e inúteis. Mais ainda, terrivelmente tristes. 

Sem palavras, sem ação. Só com a esperança de que lá no etéreo Leta e Oswaldo continuem festeiros e que a Pituca não vença atender aos pedidos de seus pares Giba Novaes e Mano de Souza, ao som do violão do Delega e do Flavinho Della Serra. Tudo sob os olhos protetores de D. Palmira.

José Renato Nalini é Corregedor Geral da Justiça do Estado de São Paulo, biênio 2012/2013. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Um pensamento sobre “Pituca Bárbaro

  1. Caro Nalini, Este artigo penetrou fundo em meu espírito e coração. Não é que minha querida Leny também aprontou contraindo câncer, o que no primeiro momento me fez sentir frágil, miserável, impotente e inútil. Para superar, inclusive a tristeza, só as palavras santas do Pe.Francisco, que trazem lenitivo e ajuda nesse momento bem difícil.Exemplo?A daquele rapaz de 17 anos, que indagado, já no término de sua vida, como conseguia permanecer com o sorriso nos lábios, lhe segredou: “Sofro porque dói;sorrio porque Deus me ama”.Abraços.

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