Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Uma vez é suficiente

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A primeira vez que fui para a Europa foi em 1976 e viajei com Francisco Vicente Rossi e suas irmãs Conceição e Ana Maria. Depois de percorrer o circuito tradicional, pudemos estender a viagem ao Oriente. Deixamos a bagagem no domicílio vaticano de D. Agnelo Rossi e fomos para o Egito, Jordânia e Israel. Amã, capital da Jordânia, é uma cidade interessante. Mas muito mais atraente são Petra e Jerash.

Confesso que não sabia muito a respeito de ambas. Tinha a vaga ideia de que Jerash era a Geraza do antigo testamento. Petra atrai hoje 4 milhões de turistas por ano. Há 36 anos não era tão visitada. Foi construída para ser a capital dos nabateus, mercadores ricos do comércio de seda, incenso e marfim. É uma maravilha esculpida nas pedras. Eram tão bons no entalhe que até cavaram um teatro no granito, com capacidade para 5 mil espectadores. 

Jerash é uma das mais bem preservadas cidades romanas do Oriente Médio. Tem ruas, praças, templos, teatros e um hipódromo imenso. Ali, pode-se assistir encenação de corridas de bigas e lutas de gladiadores. Kerak é um castelo construído no século XII por soldados cruzados. Centenas de túneis e passagens secretas podem ser percorridos. Madaba, cidade vizinha ao castelo, ostenta um mapa da Terra Santa, feito em mosaico e cobrindo o chão de uma basílica ortodoxa.

Era para orientar os peregrinos a caminho de Jerusalém. Na Jordânia vimos alguns dos lugares mais sagrados do Velho Testamento. O lugar em que Jesus foi batizado, o túmulo de Aarão, irmão de Abrão e o monte Nebo, de cujo cume Moisés teria avistado a Terra Prometida e, não chegando a ela, ali escolheu o lugar para morrer. Não entramos no Mar Morto, o mais antigo Spa natural do mundo. Dizem que o corpo flutua nas águas mais salgadas do mundo. 

Mas ele estava todo cercado de arame farpado. De lá, fomos por terra a Israel. Naquele tempo, tivemos de carregar as malas, submetidos a uma revista rigorosíssima, antes de ingressar na Terra Santa. Jordânia é um espetáculo, mas não tenho vontade de voltar, assim como acontece com Paris, da qual não me canso. Uma vez é suficiente e, depois disso, guardá-la na memória. Por sinal que, naquela viagem, tive o cuidado de passar as mãos pelas pedras e esculturas, sensação ainda hoje hábil a reviver tal experiência, graças à pouco explorada memória tátil. 

José Renato Nalini é Corregedor Geral da Justiça do Estado de São Paulo, biênio 2012/2013. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

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