Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

João Lopes Camargo

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A morte, que a ninguém poupa – não poupou nem a Cristo, o Filho de Deus – levou meu primo João Lopes Camargo. Homem discreto, sensato, cumpridor de seus deveres, passou a vida a resolver problemas alheios. Não foi seduzido pela exigência do reconhecimento. Estava pronto a servir, de maneira eficiente, mas com toda a discrição. Fui testemunha disso em inúmeras oportunidades. 

Minha família e eu somos devedores da sua presença fraterna em tantos momentos difíceis e na disponibilidade nunca recusada. Era o mais velho de seus irmãos. Dois casais, exatamente como ocorreu em casa de meus pais e no meu próprio lar. Sempre cuidou dos interesses da família inteira. De uma enorme família que incluía primos, tios, parentes de longe mas que necessitassem de apoio, orientação, serviço imprescindível e desinteressado. 

Dentre os primos, era o confidente de minha mãe. Ela já o havia encarregado de leva-la a uma casa de repouso, assim que viesse a perder a lucidez ou estivesse impossibilitada de cuidar de si mesma. Somente no “Joãozinho da Mariquinha” ela confiava. Quantas vezes chegava eu, no final dos dias de minha mãe e ela estava na sala, conversando com o João, contando as mesmas estórias, lamentando a perda de seu filho caçula, depois a partida de meu pai. 

Foi ele, mais do que eu, que era o filho mais velho, quem mais ouviu os lamentos da mãe que perde sua cria. Dor insuportável, que é tão grande que sequer tem nome. Já tive oportunidade de dizer: quem perde mulher é viúvo. Quem perde pai ou mãe é órfão. Quem perde filho, o que é? É um desgraçado. No sentido mais etimológico do verbete: a vida perdeu a graça. É uma desgraça enterrar um filho, invertendo a ordem natural das coisas. 

João Lopes Camargo me ajudou muito quando aceitei o desafio de presidir a Feira da Amizade em 1982. Foi o esteio seguro que garantiu o sucesso da empreitada. Tanto que ninguém mais o dispensou depois disso. Mas auxiliou também Jundiaí. De forma quase anônima. Porém quem com ele conviveu sabe de sua capacidade de trabalho. Compreende-se a tristeza da Nilva, do César e do Cássio. Das noras e netos. Do irmão e dos sobrinhos. 

Dos primos todos. Daquela grande família dos que não são parentes de sangue, mas a gente escolhe ou vai ganhando pela vida. Em compensação, minha mãe, Mariquinha, João Lopes, a “Ia”, Maria Branco, o Lico (Avelino Branco) e tantos outros estão felizes. Reuniram-se novamente e a família o recebe feliz e de braços abertos. Descanse em paz, meu primo João Lopes Camargo.

José Renato Nalini é Corregedor Geral da Justiça do Estado de São Paulo, biênio 2012/2013. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

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