Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

O sufoco das cidades

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O congestionamento nas grandes cidades enfraquece as atividades humanas, se opõe ao desenvolvimento, mata o progresso, desencoraja as iniciativas. A degradação da cidade e a intensidade do trabalho moderno conduz os seres à enervação e à doença. A vida moderna exige a recuperação das forças desgastadas. A higiene e a saúde moral dependem do traçado das cidades. Sem higiene, nem saúde moral, a célula social se atrofia. Quando a cidade sufoca, o país se atola. 

Isso dizia Le Corbusier em 1922, no manifesto que acompanhou o Diorama de uma cidade contemporânea, no Salão de Outono em Paris. Para ele, a cidade é a oficina espiritual onde se produz a obra do mundo. Só que essa oficina está deteriorada. Ao deixar o campo e se urbanizar, o homem estaria a lutar contra o acaso, contra a desordem, contra o desleixo e contra a preguiça que traz a morte. Seria uma inconsciente aspiração à ordem e esta seria atingida pelo recurso às bases determinantes do espírito: a geometria. 

Não se observou o que deveria ser o racional. O caos predominou. Já em 1922, Le Corbusier reconhecia que o centro das cidades está mortalmente doente, sua periferia está corroída como por uma verminose; 90 anos depois a coisa piorou. Os administradores não atentaram para os quatro postulados brutais, concisos, que enfrentariam os perigos postos no caminho do desenvolvimento sadio das cidades: 

1. Descongestionar o centro das cidades; 
2. Aumentar a densidade do centro das cidades para realizar o contato exigido pelos negócios; 
3. Aumentar os meios de circulação
4. Aumentar as superfícies arborizadas, único meio de assegurar a higiene suficiente e a calma útil ao trabalho atento exigido pelo ritmo novo dos negócios.

Não faria mal aos candidatos a prefeito e a vereador debruçarem-se sobre as ideias de Le Corbusier, reproduzidas no livro “Urbanismo”, tradução de Maria Hermantina de Almeida Prado Galvão, publicado pela Martins Fontes em 2011. E para quem quiser algo na área jurídica, leia “Direitos que a Cidade Esqueceu”, que publiquei pela RT neste ano. Sem o mergulho na reflexão e vontade de mudar, a cidade continuará no sufoco, até morrer asfixiada.

José Renato Nalini é Corregedor Geral da Justiça do Estado de São Paulo, biênio 2012/2013. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

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