Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Mais pobreza, mais crime?

Deixe um comentário

A ignorância ou a superficialidade costuma considerar o crime um fato de pobre. Não é a pobreza a causa do crime, porém uma soma de fatores. Se o pobre tivesse, inevitavelmente, de praticar ilícito penal, o Brasil seria muito pior do que já é. Pois os pobres são em número infinitamente superior ao dos ricos.

Para o sociólogo José Vicente Tavares dos Santos, a constatação de que os índices sociais tiveram melhoria e o crime aumentou é prova inconteste de que não há relação entre pobreza e violência. Para ele, “a violência penetrou em todo o tecido social. Passou a ser, em vários grupos sociais, uma norma de conduta, um valor. A violência não está à margem da sociedade. E a sociedade é muito mais violenta do que ela mesma quer admitir, pois há uma violência invisível”. 

Quem já não assistiu a brigas de trânsito? Pessoas em carros valiosos, bem vestidas, não se pejam em usar de palavreado chulo, de ameaçar e até de mostrar armas. Que belo exemplo dão mães que vão buscar seus filhos à saída da escola e são tão afoitas que parecem não se importar com a segurança do filho alheio. E as torcidas de futebol? E as baladas que terminam madrugada plena em bares nos quais uma discussão termina em pancadaria? Não são exatamente os pobres que primam pela violência nesta terra sem educação. 

São Paulo, esta concentração insensata de 20 milhões, é o lugar em que mais acontece homicídio. São Paulo e Rio concentram 40% dos homicídios no Brasil, embora só possuam 18% da população brasileira.

Um ponto relevante e que pouca gente observa é a facilidade com que se arma aquele que quer matar. Há um “Estatuto do Desarmamento” em vigência plena. Porém, o Brasil é o país em que há leis que pegam e leis que não pegam. Esta lei parece que não pegou. Se houvesse real interesse, o recolhimento de armas deveria ser a regra inflexível. Apreensão e destruição imediata. 

Não faz sentido armazenar o instrumento letal, para servir de prova no sofisticado processo que torna o caminho muito mais importante do que o direito lesado que a ele deu origem, se o sistema recursal caótico e kafkiano é pródigo em assegurar longos anos até que o criminoso seja julgado por seus pares. Há muito o que consertar neste triste Brasil. 

      
JOSÉ RENATO NALINI é Corregedor Geral da Justiça do Estado de São Paulo, biênio 2012/2013. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.
Anúncios

Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s