Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

País pouco inteligente

2 Comentários

Foi o diagnóstico do Ministro Antonio Cezar Peluso ao ser indagado sobre a compulsória. Por motivos personalistas, mesquinhos, mas desprovidos de qualquer racionalidade, o Brasil milionário em gênios continua a dispensar suas inteligências quando elas completam 70 anos. Desperdício de país pobre e burro. 

A compulsória não resiste a uma análise de custo-benefício e se afasta de qualquer lógica. Faça-se o levantamento de quantos aposentados compulsoriamente ainda vivem e qual sua idade. Some-se o valor dos proventos ao dos subsídios pagos àqueles que os substituíram. Verão o que o Brasil despende para manter uma regra instituída quando a idade média do nacional não ultrapassava 43 anos.

Não é apenas no Judiciário, mas no Ministério Público, nas Universidades. A lenda do “País Jovem” já não corresponde à realidade. O Brasil envelhece. Seus jovens morrem no trânsito, morrem de overdose, morrem de Aids. Ficam os “velhos”, que precisam ser mantidos por uma Previdência que já é deficitária e que, em breve, chegará ao caos. 

Mesmo assim, os que se consideram longe da compulsória continuam a justificar que se afaste a velharia. Vão ter de pagar proventos e depois pensões, por algumas décadas.
Peluso citou o Justice Renqhuist, da Suprema Corte americana, que estranhava a falácia da vitaliciedade do Juiz Brasileiro. Não é vitalício um cargo que se encerra aos 70 anos. 

Roberto Damatta comenta o brasilianista Richard Moneyrand, que também censura a opção tupiniquim: “Numa democracia igualitária cuja tendência é a anarquia organizada, como dizia Clifford Geertz, os juízes são como os antigos sacerdotes: o seu papel de julgadores do mundo não pode ser limitado pelo tempo. Eles têm de ser juízes para a vida e por toda a vida. 

O papel não pode ser esquecido e deve ser um fiel e simultaneamente uma faca permanente na cabeça de quem o indicou e do comitê legislativo que aprovou o seu nome. A vitaliciedade tira do cargo essa bobagem brasileira de uma aposentadoria compulsória aos 70 anos o que, num mundo de idosos capazes faz com que o presidente pense muitas vezes antes de indicar um indivíduo para esse cargo. Aquilo que é vitalício e só pode ser abandonado pela renúncia simboliza justamente a carga do cargo”. Mas estamos no Brasil e aqui tudo é diferente! 

 

JOSÉ RENATO NALINI é Corregedor Geral da Justiça do Estado de São Paulo, biênio 2012/2013. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

Anúncios

Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

2 pensamentos sobre “País pouco inteligente

  1. Meu avô vai fazer 88 anos. Le em 5 idiomas, dirige o próprio carro, faz compras pela internet, discute qualquer assunto. Queria eu ter a cabeça que ele tem..

  2. Olá Dr. Nalini, bom dia!
    Entro pela primeira vez no seu blog e como sempre é salutar a leitura das tuas reflexões que já seguia em outras mídias (Folha de SP, por exemplo) e já teci comentário via e-mail (só para lembrar o meu nome é homônimo da tua mãe) e aproveito o ensejo para também refletir sobre aposentação e educação.
    Sou aposentado do Tribunal de Justiça (escrevente técnico judiciário e por 22 anos Diretor de Serviço e Divisão) e para não ficar ocioso cuidei de nos últimos anos graduar-me em Licenciatura em Geografia (prossigo na pós em Ensino de História e Geografia). Porém, a surpresa foi no início do corrente ano ao acudir ao chamamento da Secretaria da Educação que necessitava de professores de geografia; inscrevi-me e logo a seguir fui chamado para assumir uma cadeira com 32 aulas semanais e ao apresentar a documentação para a posse fui barrado por uma esdrúxula vedação regimental expressa (art. 145 e § 1º, I, do Capítulo V do Regimento Interno dos Servidores do TJ) que vai além do que reza a Carta Política Federal e Estadual . Cargo técnico (como alude as constituições e é passível de cumulação) diz respeito aqueles que demandam, no mínimo, ensino médio e características técnicas exclusivas, no caso dos escreventes e diretores há a exigência de conhecimentos na área do direito, diferentemente de um escriturário que seria um operador. Enviei correspondência ao Excelentíssimo Presidente do TJ porém a resposta foi protocolar quando o que solicitava era uma revisão do artigo que não se coaduna com esses tempos de necessidade de docentes interessados, principalmente para atuar na escola pública.
    Serei ousado e solicito seja colocada essa questão por Vossa Excelência (claro, guardadas as relevâncias) para discussão no CSM.
    Sou muito grato

    Bene

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s