Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

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Depois de se destacar na condição de primeiro país em consumo de crack, o Brasil também quer ocupar mais um pódio: o da violência urbana. Já é detentor de 10% dos casos mundiais de homicídio doloso. Para quem ainda não sofreu pessoalmente uma violência ou não sentiu a morte roubada a um familiar, o tema violência pode parecer maçante. 

Ou tema de estudos acadêmicos, pois cerca de 10 mil mestrados e doutorados foram defendidos desde 1983. A violentologia é assunto que interessa cada vez mais a políticos, sociólogos, psicólogos, juristas, policiais e estudiosos em geral. A melhor tese de doutorado eleita pela Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais em 2009 foi a de Gabriel de Santis Feltran. O sociólogo de 36 anos publicou pela UNESP o resultado: “Fronteiras de Tensão – Política e Violência nas Periferias de São Paulo”, da Editora UNESP. A tese de Feltran é a de que o bairro do Sapopemba é fenômeno claro do que aconteceu com a metrópole. 

Em 1970, sua população era de famílias de arranjo tradicional e católicos que buscavam ascensão social nas indústrias. Mas as mudanças econômicas das duas décadas seguintes fez chegar pessoas sem histórico de trabalho estável nem projeto de ascensão claramente formulado. Diz ele: “não havia marido empregado na indústria nem planos claros de educar os filhos para fazê-los doutores e saírem dali um dia”. O trabalho assalariado formal escasseou e o pentecostalismo cresceu. O crime passa a fazer parte da comunidade. 

A tragédia é que “os filhos do crime” trazem mais dinheiro para casa do que os desempregados. E o monopólio da violência legítima do Estado é ficção: “Os traficantes e ladrões assumem o papel da força armada que regula as regras de convivência e faz justiça no varejo, pelo debate constante de qualquer atitude considerada inadequada, ilegítima ou imoral”. 

Falha a inclusão social, já não se distingue entre “favelado” e “operário”, a divisão caricatural entre “bandido” e “trabalhador” se torna porosa.  Isso acontece em outras cidades do Brasil. Alguém se apercebeu do fenômeno? O que fazer para enfrentá-lo? 

JOSÉ RENATO NALINI é Corregedor Geral da Justiça do Estado de São Paulo, biênio 2012/2013. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

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