Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Poço de preconceito

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Ortega y Gasset afirmou que somos nós e nossas circunstâncias. Não teria errado se tivesse dito: somos nós e nossos preconceitos. Mesmo que não admitamos, somos preconceituosos. Temos pré-compreensões geradas na família, na escola, na religião, na sociedade. Elas moldam a nossa concepção de vida e orientam o nosso convívio. 

O magistério mal remunerado, sem tempo de se reciclar, sem o descanso sabático do Primeiro Mundo, é um terreno fértil para o aprofundamento preconceituoso. Assim, não é raro se divida a classe entre os ‘burros’ e os ‘inteligentes’. Quando o professor acredita que um aluno é menos dotado, sua crença vira sentença. Ele condena o objeto de seu preconceito a um rendimento menor. 

Isto não é ‘achismo’, senão resultado da pesquisa que o educador Robert Pianta, Reitor da Escola de Educação Curry, da Universidade de Virgínia, fez com alunos do nível fundamental. Para ele, o professor desestimula os alunos que considera menos capazes de todas as formas possíveis. Sorrindo menos par eles, mostrando impaciência, não levando suas dúvidas a sério. 

Desde os anos 1960, sabe-se que a expectativa dos professores é decisiva no processo de aprendizagem. Para evitar que a baixa expectativa atrapalhe o desempenho do aluno, recomenda-se ao professor que numa sala com 30 alunos, dedique um dia por mês para dar atenção especial a cada um. Converse com o aluno, pergunte sobre suas dificuldades e se gosta das lições. 

É importante definir um tempo padrão para que os alunos respondam às questões, destinando o mesmo tempo a cada um. É saudável demonstrar surpresa quando um aluno tira notas baixas e deixar claro que se esperava mais dele.   Se necessário, deve-se mudar os alunos de posição na sala, de quando em quando, para não ficar próximo sempre dos mesmos estudantes.

Verdade que muitos professores não precisam pensar nisso, pois desenvolveram suas próprias técnicas de valorização do alunado. Todavia, não custa fazer um exame de consciência para concluir se o docente está fazendo o seu melhor para aproveitar a potencialidade dos educandos. Por melhor que a auto-estima nos considere, há sempre espaço para crescer e para se aperfeiçoar. 

JOSÉ RENATO NALINI é Corregedor Geral da Justiça do Estado de São Paulo, biênio 2012/2013. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

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