Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Natal comigo mesmo

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Já havia comentado neste espaço que o Natal me deixa triste. As ausências estão cada vez mais presentes. Não fora pelas crianças e gostaria de dormir no dia 1º de dezembro e acordar no dia 10 de janeiro. Mas isso tem sido impossível. Então, resista-se à corrida para não esquecer os presentes imprescindíveis, o tempo para receber cumprimentos, a montanha de cartões – sim, eles ainda existem! – que ficam numa pilha e acabam não sendo respondidos.

A obrigação de se sentir feliz, de desejar “Bom Natal” é fator de angústia. A literatura está plena de textos sobre tragédias pessoais ocorridas nessa época. São os dias em que as pessoas sentem mais o peso da solidão, da desilusão, da decepção, da falta de amor e da falta de perspectivas. Tudo porque o aniversariante é esquecido. Bastaria revigorar a mensagem do Evangelho e dar sentido a ela e o questionamento existencial seria ao menos mitigado.

Pois bem. Na manhã de 24 de dezembro recebi três de meus filhos, duas noras e um genro e duas netas, para um brunch natalino. E foi muito gostoso. A terceira filha estava em Ubatuba com o neto e na companhia da mãe. Famílias grandes nem sempre conseguem ficar unidas. Têm de se repartir de acordo com as circunstâncias. 

O plano seria passar a noite com o primogênito e meus consogros em Jundiaí. Mas eis que, de repente, uma tempestade me impediu de sair de casa. Não era exagero meu. Tanto que a FSP de 26.12.12 trouxe no “Cotidiano” o sugestivo título para a reportagem: “Queda Livre – Tempestade na noite de Natal provocou a queda de 42 árvores na cidade, rompendo fios de eletricidade e deixando 139 semáforos quebrados”. 

Foi por isso que não consegui sair de São Paulo. A intempérie me dissuadiu. Continuei a ler o livro “O punho e a renda”, de Edgar Telles Ribeiro, vi uma parte de “Raintree County”, que aqui passou em 1957 com o título “A árvore da vida” e que era o último filme de Elizabeth Taylor que eu não tinha. Tudo com calma, sem desespero nem angústia. Só faltou ler “O Suave Milagre”, de Eça, que reli há pouco. Natal não precisa de muita gente para mostrar à alma que o único recado é o de que nasceu uma criança e que ela mudará o mundo.  
 
* JOSÉ RENATO NALINI é Corregedor Geral da Justiça do Estado de São Paulo, biênio 2012/2013. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.
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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

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