Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Sai melancolia

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Quando o Natal se aproxima e já não se é criança, intensifica-se um vago sentimento de tristeza. Vêm as recordações da infância, quando as festas eram, efetivamente, esperadas e havia preparativos hoje desaparecidos. Meu pai trazia o catálogo de brinquedos da “Estrela” e nós quatro escolhíamos aquilo que ele nos daria. Nunca acreditamos em Papai Noel. Para nós, Natal era o aniversário do Menino Jesus. 

Havia o saudável costume de levar a imagem do bambino aos lares que quisessem recebê-lo. A procissão de uma casa a outra se fazia entre cantorias: “O meu coração, é só de Jesus, a minha alegria, é a Santa Cruz”. Dentro da casa hospedeira se rezava e, no dia seguinte,  buscava-se a imagem para pernoitar com outra família. 

Era comum distribuir guloseimas às crianças que prestigiavam a visita. Tudo muito simples, muito cândido. Dezembro era o mês de se buscar serragem, tingi-la, usar papel-pedra para cobrir os vasos, montar o presépio. E a “missa do galo” era mesmo à meia noite. Não havia a volúpia consumista de hoje, quando todos pedem gorjetas e aguardam presentes. A propaganda importada esqueceu-se do aniversário e de sua importância. Além disso, aos poucos, vamos perdendo as pessoas queridas. 

Os sonhos de uma festa alegre e sem sobressalto, sem a canseira, sem o medo de se esquecer de alguém que pretende ser lembrado, quase sempre esbarram no imprevisto. Quanta tristeza também a recordar, pois esses tempos são de sensibilidade extrema e as ofensas não raro explodem, a causar incompreensão e ressentimento. 

Mas o importante mesmo é manter na alma um espaço ao menos, para acolher o Jesus criança. Permitir que se renove a esperança, pois sem ela não vale a pena viver. Perdoar, esquecer, formular propósitos de melhorar a vida. Mais de 2 mil anos depois do marco histórico, as pessoas continuam a se digladiar, a se odiar, a ter inveja, a cultivar inimizades e maledicências. 

Jesus: Você e sua mensagem fazem falta ao mundo. Será que esta espécie é mesmo racional? O que se pode esperar em relação ao futuro dessa gente que superlota o Planeta e tanto o maltrata, de maneira a tornar o ambiente nefasto e insuscetível de convívio? Se não puder ser inteiramente feliz, ao menos um Natal de reflexão para todos nós. 

JOSÉ RENATO NALINI é Corregedor Geral da Justiça do Estado de São Paulo, biênio 2012/2013. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

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