Blog do Renato Nalini

Ex-Secretário de Estado da Educação e Ex-Presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo. Ex-Presidente e Imortal da Academia Paulista de Letras. Membro da Academia Brasileira de Educação. Atual Reitor da UniRegistral. Palestrante e conferencista. Professor Universitário. Autor de dezenas de Livros: “Ética da Magistratura”, “A Rebelião da Toga”, “Ética Ambiental”, entre outros títulos.

Décio, um jundiaiense

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A amnésia oficial que acomete pessoas físicas e jurídicas fez mais uma vítima. Décio Pignatari era jundiaiense, onde nasceu em 20.8.1917 e morreu em 2.12.2012, em São Paulo. Era poeta, ensaísta e tradutor. Junto com os irmãos Haroldo e Augusto de Campos, lança em 1956 o movimento concretista durante a Exposição Nacional de Arte Concreta.

Publicou seus primeiros poemas em 1949, na Revista Brasileira de Poesia. Estudioso da comunicação, ajudou a fundar a Associação Brasileira de Semiótica, nos anos 1970. Escreveu “Informação, Linguagem e Comunicação” (1968), traduziu obras de Marshall McLuhan e era considerado uma das inteligências mais incisivas do Brasil. Para Augusto de Campos, “Décio era um extraordinário poeta e pensador. 

O maior poeta-inventor da minha geração, e um dos maiores da literatura de língua portuguesa de todos os tempos. Radical adversário da ‘geleia geral’, nunca recebeu prêmio nenhum por seu trabalho. Incomodava universidades e academias. Apesar de amplamente reconhecido como um dos fundadores da poesia concreta, era muito mais do que isso e morre – Oswald da minha geração – incompreendido e injustiçado como esse.

Não me convence o pós-blablablá de inimigos e pós-amigos de última hora que sempre hostilizaram a poesia de ponta e agora põem a cabeça de fora. Lembro do que Maiakovski escreveu sobre Khlébnikov: ‘Onde estava essa gente enquanto ele vivia?’ O Brasil das sobras nem imagina o que perdeu. O filtro do tempo vai ensinar”. Jundiaí também não sabe o que perdeu. Décio não era ressentido. 

Encontrava-se em plena atividade, escrevendo uma peça de teatro e pensava em se dedicar à prosa filosófica, por haver descoberto Martin Heidegger e Soren Kierkegaard. O último livro de Pignatari foi o infantil “Bili com Limão Verde na Mão”, publicado pela Cosac Naify em 2009 e seu espólio ficará aos cuidados de seu filho Dante Pignatari, músico, que pretende reeditar a obra, hoje espalhada entre muitas editoras.

Assim como o Brasil, Jundiaí deve algo de mais concreto a seu filho Décio. As novas gerações têm direito a saber que nesta terra também nasceu um poeta irreverente, que estudou Direito na USP e foi um dos maiores em tudo aquilo que produziu.

JOSÉ RENATO NALINI é Corregedor Geral da Justiça do Estado de São Paulo, biênio 2012/2013. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.

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Autor: Renato Nalini

Ex-Secretário de Estado da Educação e Ex-Presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo. Ex-Presidente e Imortal da Academia Paulista de Letras. Membro da Academia Brasileira de Educação. Atual Reitor da UniRegistral. Palestrante e Conferencista. Professor Universitário. Autor de dezenas de Livros: “Ética da Magistratura”, “A Rebelião da Toga”, “Ética Ambiental”, entre outros títulos.

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