Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Faltam Trumans no Século XXI

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O brasileiro e sua mania de piadas não perdoava o presidente Eurico Gaspar Dutra, do qual se dizia ser um pouco simplório. Daí propagar-se que ao se encontrar com o presidente americano Harry Truman, ao “How do you do, Dutra?”, teria respondido: “How tru you tru, Truman?.

Mas não é a piada que interessa. Truman foi um exemplo de chefe do Poder Executivo. Ao deixar a presidência do mais poderoso país do mundo, continuou pobre como sempre fora. Sua única propriedade era a casa em Independence, no Missouri, herança de sua esposa. Saiu da Casa Branca, após a posse de Eisenhower,  a dirigir seu próprio carro, sem qualquer escolta e sem a proteção da segurança. Por sinal que, ao deixar a presidência, em 1952, toda a sua renda consistia numa pensão do Exército de 13.507 dólares anuais. Pagava seus próprios selos no correio e, reconhecendo a miséria da remuneração, o Congresso propiciou-lhe uma pensão de 25 mil dólares anuais.

Não faltavam ofertas de empregos ou para integrar conselhos. Mas ele não aceitava e respondia: “Vocês não me querem a mim, o que querem é a figura do presidente, e essa não me pertence. Pertence ao povo norte-americano e não está à venda…”.

Sua modéstia chegava ao ponto de recusar a Medalha de Honra outorgada pelo Congresso em 6/5/1971, quando completou 87 anos. Escreveu aos parlamentares: “Não considero que tenha feito nada para merecer esse reconhecimento, venha ele do Congresso ou de qualquer outra parte”. 

Inacreditável que, na condição de presidente, pagou todos seus gastos de viagem e de comida com seu próprio dinheiro. Dispensou mordomias. Chegou a escrever: “As minhas vocações na vida sempre foram ser pianista num bordel ou ser político. E para falar a verdade, não existe grande diferença entre as duas!”.

Contra ele pesa o fato de haver autorizado a bomba sobre Hiroshima e Nagasaki. Só no primeiro momento, morreram mais de 220 mil pessoas. E as mortes continuaram nos anos seguintes, vitimando os que estiveram expostos à radiação. Mas isso não tira o mérito de ter sido um homem singular, incomum. Nunca mais houve um Truman. Lá ou cá. E seu exemplo quanto ao uso do dinheiro do povo é a exceção que confirma regra exatamente oposta. 
 
JOSÉ RENATO NALINI é Corregedor Geral da Justiça do Estado de São Paulo, biênio 2012/2013. E-mail: jrenatonalini@uol.com.br.
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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

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